sábado, 19 de agosto de 2017

BAIXA: MEDIDAS DESPENALIZADORAS E A FAVOR DA REVITALIZAÇÃO (5)




Tendo em conta a continuada situação de empobrecimento e desalento que as actividades comerciais tradicionais da Baixa de Coimbra atravessam, diariamente e até às próximas eleições autárquicas de 01 de Outubro, vou sugerindo medidas que, se houvesse vontade política, poderiam servir para atenuar a queda e o encerramento de mais espaços mercantis.
Estou a escrever p'ro boneco? É o mais certo!


    Deve ser criado o estatuto de Loja de Tradição -estabelecimentos, comerciais, industriais e de serviços, com mais de 20 anos;
    (paralelo a esta ideia, e só assim fará sentido, deve ser implantada a criação de um bilhete turístico único para todos os monumentos na Baixa e Alta, incluindo a Universidade, Portugal dos Pequenitos, todas as igrejas, Lojas de Tradição e Repúblicas. As Lojas de Tradição, tal como as Repúblicas, estando disponíveis para receber turistas previamente apetrechados com bilhete de livre acesso a toda a monumentalidade da cidade terão a sua quota-parte correspondente, por igual a dividir pelo número de subscritores contraentes no protocolo, e os visitantes, apresentando o bilhete nos espaços comerciais, terão direito a um desconto negociado e anunciado)

Estranhamente, ou talvez não, está em vigor um bilhete turístico único subscrito entre apenas duas entidades: Fundação Bissaya Barreto -com visita ao Portugal dos Pequenitos- e Universidade de Coimbra -com visita à Biblioteca Joanina e espaços adstritos. A explicação para este absurdo procedimento, com notório prejuízo para as actividades privadas e para o desenvolvimento da Baixa, foi-me dado por Luís Menezes, vice-reitor da Universidade de Coimbra e responsável pelo turismo, em 22 de Outubro de 2016, no Teatro da Cerca de São Bernardo, numa conferência seguida de debate sobre o lema “A visão do Guia Interprete para uma Cidade Património da Humanidade". À minha pergunta sobre o facto de haver apenas dois subscritores neste bilhete único respondeu Filipe Menezes que é assim porque, embora fosse proposto, não houve entendimento com a Diocese de Coimbra -entidade gestora e responsável pelos monumentos classificados e dedicados ao culto católico.
Tal como afirmei, olhos-nos -olhos, na altura a este senhor vice-reitor, é urgente acabar com o monopólio que a Universidade de Coimbra quer impor sobre os fluxos turísticos que aportam à cidade. É vergonhoso constatar que, num circuito viciado, o trajecto continue a ser entre o hotel Astória, Arco de Almedina e Universidade e vice versa. Perante a total passividade do executivo municipal, sem se querer saber da riqueza que deve ser geral e caber a todos e não apenas a alguns, abandonou-se a Baixa na generalidade e mais propriamente a Rua da Sofia -parte também classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade. Quando, naturalmente e pela distinção, se deveria levar os turistas a esta rua dos colégios e da sabedoria, assobia-se para o lado e faz-se de conta que está tudo bem. Só que os estabelecimentos a encerrarem nesta rua larga são como o algodão: não enganam. É a prova provada de que a gestão da cidade não está ser gerida com imparcialidade. E os ícones vão desaparecendo.
É preciso ter coragem para bater o pé à Universidade e dizer aos seus dirigentes que não é nenhum principado independente. A Universidade, embora com estatutos próprios, faz parte da cidade e não o contrário. Isto é: não é a cidade que está arregimentada ao seu alegado desmesurado poder. Sem que nos apercebamos, lentamente, com total prejuízo para as actividades comerciais de Coimbra esta entidade está a chamar a si a parte de leão na rentabilidade turística. Por exemplo, tendo esta faculdade do saber por objecto a formação intelectual de cidadãos, não se entende que, concorrendo com os privados na venda de artesanato, possa ter uma loja aberta no seu espaço histórico. Que aproveite bem, onerando quem visita as suas seculares instalações, até se aplaude e entende com razoabilidade. Mais do que isso, a meu ver, é abuso de posição dominante. E mais: como a marca Universidade é registada, preparem-se os operadores privados da cidade, na Baixa, para um dia destes serem proibidos de vender artigos regionais com o seu logótipo.
Ao escrever sobre este assunto tenho alguma esperança de que mudem os procedimentos? Claro que não. Seja este executivo PS, que sobre este assunto nos últimos três anos de classificação universal nada fez, seja outro que lhe suceda, o dobrar da espinha, em vassalagem silenciosa e sem decreto que o fundamente, escandalosamente vai continuar. Rezemos à porta das igrejas encerradas na Baixa e oremos a Deus um milagre, que, pelos vistos, destes políticos que nos regem com visão desfocada não levaremos nada.


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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

BOM DIA, PESSOAL...

BAIXA: MEDIDAS DESPENALIZADORAS E A FAVOR DA REVITALIZAÇÃO (4)




Tendo em conta a continuada situação de empobrecimento e desalento que as actividades comerciais tradicionais da Baixa de Coimbra atravessam, diariamente e até às próximas eleições autárquicas de 01 de Outubro, vou sugerindo medidas que, se houvesse vontade política, poderiam servir para atenuar a queda e o encerramento de mais espaços mercantis.
Estou a escrever p'ro boneco? É o mais certo!


O estacionamento público, com recurso a barreiras e a parquímetros, deve passar a ser onerado somente até às 17h00 (em toda a cidade);
Durante o Sábado todo o dia o estacionamento público, com recurso a barreiras e parquímetros, deve passar a ser gratuito (em toda a cidade);
Devem ser criadas áreas de estacionamento gratuito, nomeadamente as zonas da Casa do Sal, Choupal e Rua Padre Estêvão Cabral.



Um dos maiores obstáculos a ser superado na Baixa -na luta desigual entre o comércio tradicional e as grandes superfícies- é, por um lado, o elevado custo do estacionamento público e privado, por outro, a carência de lugares gratuitos.
Quer o anterior executivo de Coligação PSD, quer este do PS nenhum deles se importou minimamente com o facto da Baixa precisar de zonas de paragem desoneradas para automóveis. Como se a autarquia defendesse sem despudor os parques de estacionamento privados e, não lhe fazendo concorrência, abdicasse do serviço público, a sua preocupação foi sempre conseguir confiscar o máximo a quem pretende aceder à zona histórica, seja para fazer compras seja para tratar de assuntos administrativos. Num critério duvidoso do ponto de vista equitativo, esteve sempre presente o recurso à multa de trânsito para castigar quem se desloca a esta zona demasiadamente desertificada. Sabendo que a gratuitidade no estacionamento é fundamental na hora de decidir onde se vai comprar, quer o PSD quer o PS, tiveram sempre uma visão egoísta e desligada do progresso do coração da cidade, sobretudo não ligando este factor importantíssimo ao desenvolvimento da Baixa de Coimbra. Infelizmente, sem até aqui haver um presidente da Câmara Municipal que salve a classe política local, é o que temos tido. Sem grande esperança, acredito piamente que o mesmo situacionismo se irá manter na próxima década -pelo menos até ao desaparecimento total da pequena loja de bairro.
Devido à falta de políticas urbanas agregadas, daí defender-se que, depois do encerramento dos estacionamentos gratuitos no Terreiro da Erva e na Praça das Cortes, na Margem Esquerda, é de elementar justiça que a edilidade abdique do pagamento na zona da Casa do Sal e o transforme em acesso livre. Assim como há muito tempo que se exige que sejam concedidas duas horas para se fazerem compras livremente sem pagamento. Como tal, a meu ver, a paragem apenas deveria ser cobrada até às 17h00 -o restante do dia ficaria livre de ónus para quem aqui tivesse necessidade de se deslocar. No Sábado a mesma coisa: ser gratuito durante todo o dia. No tempo do “ancien regime”, no anterior executivo, chegou a ser anunciado que aos Sábados o estacionamento público não seria pago. Porém, para além de nunca alterarem os parquímetros, nada se fez para implementar a medida com publicidade nas máquinas de moedas.
Os governos locais, desde 2001 até hoje, trataram sempre a Baixa como uma reles prostituta. Servem-se dela quando a necessidade obriga e a seguir abandonam-a e desprezam-na. Para exemplificar, já não falando nas obras em tempo de eleições, repare-se que todos os candidatos a pretor urbano têm a sua sede na Baixa. Porquê?


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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

ATÉ OS SANTOS NOS ABANDONAM. AO QUE A GENTE CHEGA!

(Imagem do Expresso)




(Como já sou velho) Ainda sou do tempo em que uma pessoa podia estar descansada junto a uma ermida que os santos protegiam-na dos males em redor, fossem da Natureza ou dos homens.
No lavar o cesto das culpas por parte da Câmara Municipal do Funchal, pelo actual executivo e anterior, está de ver que, a haver negligência ou culpa grave, a responsabilidade caberá por inteiro à Senhora do Monte. No limite, pode ser que o Espírito do Carvalho, a árvore que sem licença camarária decidiu abater-se sobre os romeiros, possa esclarecer e, com as suas declarações, possa isentar a caridosa.
Sinceramente, espero que Deus mande realizar um rigorosíssimo inquérito e que a culpa não recaia nos políticos terráqueos -tão inocentes e puros, coitados!- tão lestos a justificarem a sua não intervenção na prevenção do aparatoso incidente que vitimou 13 pessoas.

BAIXA: MEDIDAS DESPENALIZADORAS E A FAVOR DA SUA REVITALIZAÇÃO (3)






Tendo em conta a continuada situação de empobrecimento e desalento que as actividades comerciais tradicionais da Baixa de Coimbra atravessam, diariamente e até às próximas eleições autárquicas de 01 de Outubro, vou sugerindo medidas que, se houvesse vontade política, poderiam servir para atenuar a queda e o encerramento de mais espaços mercantis.
Estou a escrever p'ro boneco? É o mais certo!


    Parar o licenciamento de mais feiras de rua na Baixa (e na cidade) excepto se a sua realização acontecer ao Domingo; ordenar os certames actuais com lugares marcados para os vendedores e inscritos previamente na Câmara Municipal de Coimbra contra pagamento dos espaços cedidos.

Para além da Feira dos 7 e dos 23 na margem esquerda, durante mais de uma década, na Baixa e com periodicidade mensal, a Feira de Velharias, que se iniciou em 1991 na Praça do Comércio, foi filha única. Pela mão de Carlos Dias, antiquário e dono do Velhustro, começou como feira franca, isto é, sem estatutos, gratuita e sem inscrição antecipada por parte dos vendedores. Depois da centenária Feira da Ladra, em Lisboa, como foi das primeiras a surgir no país para animar as cidades com movimento de pessoas, durante pouco tempo foi a rainha da zona centro. Dentro do mesmo conceito de gratuitidade, logo a seguir e a multiplicarem-se como cogumelos, nasceriam em Viseu, Leiria e Águeda e Mealhada. Aveiro criou a sua mas com regras, com estatutos, com lugares marcados e com inscrição na Câmara Municipal e com pagamento semestral. Ao longo destes últimos vinte anos, enquanto todas as outras, que nunca cobraram mas também nunca investiram nada, foram decaindo e algumas desapareceram, Aveiro com realização ao Domingo, e com contra-prestação dos expositores que pode chegar aos 300 euros anuais, é hoje uma das mais pujantes e de maior importância nacional. Transferindo o certame para o Centro Histórico, espalhando os vendedores pelas praças, becos e ruelas e aproveitando para revitalizar ruas pouco frequentadas, é uma romaria bem concebida entre a dualidade do interesse privado e serviço público.
A Feira de Velharias de Coimbra, sem qualquer investimento por parte da autarquia, sem publicidade, sem lugares marcados e ao sabor de simpatias, obrigando os vendedores a dormirem lá dentro dos carros para marcarem o seu lugar, numa teimosia muito própria de barões mal assinalados, mantendo-se sempre na Praça do Comércio, por força das esplanadas entretanto geradas, foi encolhendo, encolhendo, até ao dia em que, por forças das circunstâncias, inevitavelmente morrerá.
Há meia-dúzia de anos, no espaço da romaria do Espírito Santo, em Santo António dos Olivais, surgiu uma de feira mensal de trocas e de usados. Seguindo a linha da precedente também gratuita e sem inscrição prévia.
Também há poucos anos, pela orientação de José Simão e Junta de Freguesia de Santa Clara, foi criada a Feira sem Regras, junto ao Convento Velho. Praça de venda de artigos usados e antigos, na mesma orientação da Feira de Velharias, como o nome indica, sem regras, gratuita e sem lugares marcados, nascida para reanimar a margem esquerda, é de prever que, a médio prazo, terá um fim igual à primeira.
Anualmente realizavam-se na cidade a CIC, Feira Industrial e Comercial de Coimbra, ultimamente no Choupalinho, a Feira Medieval, no Largo da Sé Velha, a Feira das Cebolas, na Praça do Comércio, e a Feira do Livro e do Artesanato, na Praça da República -que em 2013, sob ordens do executivo Coligação por Coimbra, passou para o Parque Verde com uma cabimentação de 70,500 euros e com stands pagos pelos utilizadores. Em 2014, sob comando do executivo socialista, passou para o Parque da Cidade com um orçamento de 113 mil euros e sem onerar os vendedores. Em 2015 o mesmo orçamento e gratuitidade para vendedores. Em 2016 o mesmo e com um agravamento para os cofres da edilidade em cerca de 130 mil euros. Este ano de 2017, a autarquia gastou cerca de 170 mil euros para realizar gratuitamente, com custos apenas para o erário público, a Feira Cultural de Coimbra.
Por volta de 2007, pela batuta de Mário Nunes, vereador da Cultura da Coligação por Coimbra, nasceu a Feira da Flor e da Planta que, sem periodicidade e sem agravo para os expositores, se realizava ao ar livre nas Ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz. Actualmente, continuando a ser gratuita para os vendedores, é realizada mensalmente no mesmo local.

ARMA DE TIRO PELA CULATRA

Escrevendo sobre Coimbra, quer o anterior executivo da Coligação por Coimbra, quer o actual liderado pelo Partido Socialista, cedo verificaram que a realização de feiras é uma forma fácil, facilitista, de agradar à maioria constituída pelo público em geral e o que visita o certame apenas neste dia, pelos vendedores que, vindo de perto e de longe, nada pagam e pelos hoteleiros que, nestes dias de forró, facturam sempre mais do que habitualmente. Sabendo-se que para muitos ganharem, a maioria, alguém, a minoria, terá de perder. Ora este lugar do morto cabe por inteiro às lojas comerciais implantadas na Baixa. Isto é, numa visão egoísta, que apenas se sustenta no sucesso da festa e dos foguetes, e acompanhada pelos hoteleiros, pelos turistas e pelos vendedores, que vêm de fora fazer concorrência a quem cá está estabelecido e é obrigado a cumprir formalidades fiscais, a autarquia não hesita em subsidiar estas acções mesmo sabendo que o tiro saído pela culatra fere de morte imensas lojas de artesanato e outras áreas.
Portanto, pelo que fica escrito, numa espécie de “nós e os outros mas em nome de todos”, não é de admirar que o presidente da APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, sendo hoteleiro, defenda hoje no Diário as Beiras que “tem mantido contactos com responsáveis camarários de vários concelhos da CIM -Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra- com vista à captação de novos certames ao centro histórico. (…) Iniciativas como estas são extremamente positivas para nós. Dão vida à Baixa e agitam o comércio e a restauração. Por mim, tínhamos isto todas as semanas. (…) Já fizemos esse convite a diversas pessoas e penso que, no futuro, haverá condições para que esses concelhos possam vir a Coimbra promover a sua gastronomia, comércio, artesanato e todas as suas mais-valias.”
Haja paciência para tanta falta de bairrismo e insensibilidade para quem cá tenta resistir. Haja dinheiro no erário público -e que este não se esgote para fazer punhetas a grilos- para rebentar no ar fogo de artifício.


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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

BAIXA: MEDIDAS DESPENALIZADORAS E A FAVOR DA SUA REVITALIZAÇÃO (2)





Tendo em conta a continuada situação de empobrecimento e desalento que as actividades comerciais tradicionais da Baixa de Coimbra atravessam, diariamente e até às próximas eleições autárquicas de 01 de Outubro, vou sugerindo medidas que, se houvesse vontade política, poderiam servir para atenuar a queda e o encerramento de mais espaços mercantis.
Estou a escrever p'ro boneco? É o mais certo!

    Revisão do preço por metro quadrado pela ocupação de espaço público com esplanadas. Depois de gratuito durante mais de uma década, abruptamente e sem aviso prévio, em Janeiro de 2016 passou a ser cobrado 2.00 € por metro quadrado.


Sabendo-se pelos jornais que a Câmara Municipal de Coimbra detém um Superavit, diferença entre as entradas de dinheiro e os gastos durante este último mandato de quatro anos, não faz sentido, ou melhor, é um absurdo o desmesurado aumento/custo apresentado de supetão aos hoteleiros. Pelo desenvolvimento da Baixa, através da sua actividade turística, tendo em conta que resulta em exploração sazonal e o restante de embelezamento da paisagem urbana, manda o bom senso que o custo a pagar por mês pela ocupação de espaço público com esplanadas passe para metade. Ou seja, 1,00 € por metro quadrado -medida naturalmente extensível a toda a cidade.
O executivo municipal, para além de tentar mostrar serviço com obras públicas em tempo de eleições e para isso gastando milhares e milhares de euros, acima de tudo, tem obrigação de tomar atenção ao que se passa com os operadores que exercem no Centro Histórico. Não é com taxas de confisco que se demonstram políticas de apoio à revitalização da Baixa.



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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

BAIXA: MEDIDAS DESPENALIZADORAS E A FAVOR DA SUA REVITALIZAÇÃO (1)





Tendo em conta a continuada situação de empobrecimento e desalento que o comércio tradicional da Baixa de Coimbra atravessa, diariamente e até às próximas eleições autárquicas de 01 de Outubro, vou sugerindo medidas que, se houvesse vontade política, poderiam servir para atenuar a queda e o encerramento de mais estabelecimentos.
Estou a escrever p'ro boneco? É o mais certo!


    Embora sujeito a registo processual, isenção de taxas para reclames e toldos e ocupação de espaço público com expositores de ementas e outros, sinais indicativos e publicitários, passadeiras e vasos à frente dos estabelecimentos que não excedam em largura os 50 centímetros.


Sabendo-se pelos jornais que a Câmara Municipal de Coimbra detém um Superavit, diferença entre as entradas de dinheiro e os gastos durante este último mandato de quatro anos, não faz sentido continuar-se a cobrar pequenas quantias, que serão “lana caprina” para o orçamento municipal, e, em pequenas medidas desoneroradoras, deveria ser mostrada sensibilidade para a recuperação do tecido comercial da Zona Histórica.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

SEI QUE ESTÁS EM FESTA, BAIXA. VENHO HOJE E VOLTO PARA O ANO...





No Sábado de manhã, enquanto decorria a mostra de “Estátuas Vivas” na Baixa, um funcionário administrativo com cargo superior na Câmara Municipal, em vistoria à humana performance estática nas ruas estreitas, desviando-se do seu trajecto programado, um pouco ufano pelo sucesso da iniciativa que se comprovava por grupos de transeuntes parados a apreciar o desempenho artístico da “performer”, dirigiu-se-me assim: “Então, está gostar? A mostra vai merecer um comentário seu positivo?
Em diálogo curto, tentei explicar-lhe a minha posição sobre estas festas. Pouco ou nada convencido pela minha argumentação, foi à sua vida. Certamente na sua passagem, se olhou para dentro dos estabelecimentos comerciais, teria visto que as lojas, apesar do envolvimento da festividade, estavam vazias. Mesmo com as mostras artísticas a decorrer durante a tarde, às 13h00 o comércio nas ruelas estreitas praticamente encerrou quase na totalidade e deixando os artistas imóveis como se fossem mesmo estátuas reais.
Antes de prosseguir vou fazer uma declaração de interesses. Pelo pessimismo notório, por me sentir uma espécie de “Medina Carreira do comércio tradicional”, nos últimos tempos tenho vindo a deixar de escrever sobre o que se passa e como interpreto o que está acontecer na Baixa. A cada dia que passa cada vez mais estou convencido que estou sozinho a falar para o vento e, a ser assim, não sendo entendido, nem pelos mais interessados, os comerciantes, nem pelo poder político que apenas está arrebatado no resultado final de sucesso que transparece para o público e pouco preocupado com o que está acontecer de facto, só me resta mesmo cuidar de mim.
Repetindo o que defendo há alguns anos, e foi isto mesmo que tentei mostrar ao funcionário camarário, o que a edilidade está a fazer são festas para “turista ver” e que para o comércio de rua não traz absolutamente nada. São como fogo de artifício a ribombar no ar. Saliento que, com esta crítica, não pretendo destruir o trabalho apresentado e realizado pela autarquia. Discuto os meios e os fins que levam à concretização e não o que se apresenta ao público. O que afirmo é que estas festas, pelos elevados montantes gastos, não estão a ser devidamente canalizadas para a revitalização da Baixa. São formadoras de uma atmosfera festivaleira, oca, panfletária e sem conteúdo, e, para quem está de fora, para quem aprecia sem se questionar para que serve, cativa simpatias e gera ovação na aparência. Têm um elevado pendor político de “show-off”, um faz de conta associado, que a todo o custo querem retratar uma realidade que não existe. Com a conivência da comunicação social, escrita e falada, que só revela a fachada e não o interior, ostenta-se um centro comercial de vida, pujante de turismo, que está na moda, activo e a mexer, como nenhum outro nacional. Neste quadro falseado, a cidade muito fica a dever à SIC. Só para exemplificar, na penúltima sexta-feira, sob responsabilidade da APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, foi realizada mais uma “Noite Branca”, pretensamente com o comércio aberto até à meia-noite, com “Dj's” a actuarem em algumas praças e outros músicos dentro de algumas lojas. Quem viu a reportagem no canal privado, mais que certo, ficou impressionado. O que não se disse na peça é que pouco mais de meia-dúzia de estabelecimentos comerciais estiveram abertos. No Sábado, no “Primeiro Jornal”, a mesma coisa acerca das “Estátuas Vivas”. Como não foi exibida a rectaguarda desta alegoria, o que perpassa é um êxito jamais visto. Nestas reportagens de pendor duvidoso na seriedade, nunca são entrevistados comerciantes extra-organização para saber o que pensam destas celebrações.
A questão é que, em face do alegado triunfo destes eventos, e não havendo contraditório, para o cidadão comum que vê a farra do lado de fora como um banquete gratuito, tomando conta da não adesão do comércio, há uma tendência para a exaltação do poder político e na culpabilização dos comerciantes. Ora, está visto, isto é o pleno que os dirigentes autárquicos pretendem atingir, falando de Coimbra como outras cidades, fazer de conta que está a alavancar a recuperação dos seus centros históricos. Pura mentira! Inegável aldrabice! Digo eu, que também não serei credível para muitos.

LADO-A-LADO, UM CONCERTO E UM FUNERAL

Para muitos dos que não fazendo parte da grande família comercial e seguem o que persistentemente tento transmitir, estou em crer, mesmo vendo o que está a acontecer, com ramos de negócio a desaparecer, uns atrás dos outros, tomam-me como exagerado. Uma espécie de anjo da desgraça. Para os outros, os que estão imbricados com a mão na massa, os que aqui ganham a vida, sabem que o que escrevo é verdade mas, aceitando passivamente, preferem não se manifestar. Em jeito de protesto mudo de costas voltadas, o seu maior ruído percepcionado a ecoar no silêncio é a manifesta falta de colaboração nestes festejos. Em metáfora, é assim que, pela imagem de lojas fechadas num desinteresse bem vincado e a banda a tocar, parece um funeral e um concerto musical a conviverem no mesmo espaço. Nos últimos dias encerraram três estabelecimentos na Baixa.

MAS, AFINAL, O QUE É QUE SE PODE FAZER?

Até parece que escrevendo muito sobre o comércio de rua, na linha de salvação, sou senhor de grandes saídas reveladoras. Não, em confissão e com a humildade possível, não detenho soluções milagrosas. Tenho para mim que, de uma maneira geral, o estado de desgraça é de tal modo caótico, e atingiu tal gravidade, que já não haverá recurso possível para o inevitável desaparecimento da loja tradicional de rua. Sem querer parecer profeta do infortúnio, acredito que, sem tardar muito, se continuar a elevada carga fiscal sobre a pequeníssima empresa, vão ser as câmaras municipais a ocupar-se dos espaços comerciais, colocando lá funcionários pagos pelo erário público para dar vida às cidades e vilas.
Dando crédito, basta atentar às actuais quotas de mercado divulgadas nos últimos tempos: comércio online já ocupa uma fatia de cerca de 51% -com tendência para aumentar-; grandes superfícies cerca de 41%; comércio de rua cerca de 8%. Se, por um lado, se verifica que o comerciante tradicional resiste a novas formas informais de transaccionar, o que resulta em seu prejuízo, por outro, também é certo que, sendo o mais vulnerável, é atacado por todos os lados e até por si mesmo. Vejamos algumas debilidades que se detectam a olho nu:

-É ofendido pela crise, na diminuição drástica dos rendimentos, que redunda na queda da procura;
-Pela oferta desmesurada, em concorrência feroz, que contribui para o embaratecimentos dos produtos, com curtas margens de comercialização, e que provoca a deflacção;
-Pela mudança dos costumes, na troca do ter pelo ser, isto é, abdicando dos bens materiais em prole do imaterial, como viagens e prazeres perecíveis e imediatos. Pela desvalorização das coisas, em opção por outras escolhas, o adquirir e ficar amarrado ao futuro deixou de ser opção;
-Pela intencional desregulação das leis de mercado, com promoções diárias, debilitando o pequeno investidor e favorecendo os grandes grupos;
-Pelas vendas particulares em populares sites da Internet, em que poucos pagarão um cêntimo de impostos, em que é desencadeada uma luta desigual com a conivência do Estado. O lojista está encurralado. Para além de não conseguir fugir a nada, com custos fixos exacerbados, está preso a malhas administrativas e a obrigações fiscais de confisco;
-Pelas feiras e mercados, nascidos como cogumelos por esse Portugal fora, apadrinhados pelas câmaras municipais. Apresentados como revivificadores salvíficos dos lugares, poucos parecem perceber que, contrariamente ao apregoado em que se tenta fazer crer ser complementar, com estas medidas, estão a acelerar a morte do que resta da antiga loja tradicional;
-Pela desertificação habitacional nos grandes centros urbanos, as lojas (sobre)vivem apenas dos imprevisíveis passantes. O cliente fidelizado ao longo de décadas desapareceu;
-Pelo abandono e carência de políticas locais e governamentais de desenvolvimento;
-Pelo desinteresse como as entidades nacionais ligadas ao turismo desprezam o comércio de rua. Apenas se interessam pelo alojamento e hotelaria em geral;
-Pela desunião de classe e fraca capacidade de reivindicação. o comerciante tradicional, maioritariamente sexagenário, raramente ou nunca fala das suas dificuldades económicas. Morre sempre envolto num silêncio sepulcral.

Assim a continuar, só sobreviverão os negócios únicos no seu género e sem concorrência e aqueles que estejam virados para o turismo massificado -enquanto durar o trânsito internacional de pessoas, porque, como sabemos, o turismo é um sector muito oscilante e dependente de vários factores.

SUA EXCELÊNCIA O TURISTA “PÉ-DESCALÇO”

Segundo as estatísticas do INE, Instituto Nacional de Estatística, divulgadas na última sexta-feira, “o ano de 2016 foi o melhor de sempre para actividade no Centro, que registou crescimentos na ordem dos dois dígitos a nível de hóspedes, dormidas e receitas”, in Diário de Coimbra.
Ainda no mesmo diário, citando a Turismo Centro de Portugal, é referido que este crescimento revela “maior expressão nos mercados externos”, com um auento de 13%, para 2,36 milhões de dormidas. (…) Estes números comprovam os dados preliminares de que já dispúnhamos. E comprovam também que a estratégia que definimos é a mais correcta”, afirma Pedro Machado” (presidente da Turismo Centro de Portugal).
Como já percebi há muito, para a Turismo Centro de Portugal, o comércio de Coimbra não merece qualquer referência, seja sobre esta actual declaração do INE seja sobre outra qualquer passada. O que contam são as dormidas, o resto é paisagem.
Atente-se no facto de, progressivamente e sobretudo este ano, o turista ser cada vez mais “low-cost”, de baixo consumo, mochila e tenda às costas e telemóvel a captar imagens sem pedir licença.
Em Coimbra verifica-se que a classificação de Património Mundial, atribuído pela Unesco, foi um grande negócio para a Universidade. Melhor dizendo, uma escandalosa classificação que, para além da hotelaria e algum comércio de cortiça, pouco trouxe à Baixa e à cidade. Um falhanço clamoroso. Com rotas viciadas, entre o Hotel Astória e a Praça Dom Diniz, a cidade, e nomeadamente a Baixa, com a Rua da Sofia abandonada, fica a vê-los passar na rota programada ao milímetro. Uma vergonha que poucos admitem! Quem leu ontem o Diário as Beiras ficou a saber que “O turismo da Universidade de Coimbra vai facturar quatro milhões este ano”. Continuando a citar o periódico, “A afluência de turistas à Universidade de Coimbra continua a aumentar, esperando-se que este ano ultrapasse o meio-milhão. A larga maioria dos visitantes são estrangeiros, mas o número de portugueses está a aumentar”. Ou seja, quando a actividade comercial na Baixa morre um pouco todos os dias, a Universidade, fazendo concorrência aos privados na venda de artigos alegóricos, engorda perante o regozijo dos seus responsáveis e com o beneplácito da autarquia, que não tem coragem de pôr fim a esta arbitrariedade que redunda numa aviltante discriminação, e da Turismo Centro Portugal, que, pela voz do seu presidente, nega estar a favorecer a Universidade em detrimento da Baixa no seu todo. Defendendo a mesma cartilha doutrinal, a Câmara Municipal de Coimbra, pela voz da vereadora da Cultura, afirma que estão todos a trabalhar em conjunto para tornar Coimbra uma cidade melhor. Entretanto as grandes casas centenárias de comércio vão encerrando.
Para quem permanecer na Baixa, aguardemos com serenidade o cair do pano desta comédia trágica para os que, por insolvência, partem e para os que, a conta-gotas, se vão aguentando e tentam ganhar a vida. Já agora, porque a classificação consignada obedece a uma série de requisitos, esperemos que a UNESCO não leia esta crónica.


BAIXA: TRÊS ESTABELECIMENTOS FORAM À VIDA





Nos últimos dias deste verão que não faz desaparecer somente floresta, encerraram três estabelecimentos na Baixa de Coimbra: O Fish-fixe, uma loja de congelados na Rua das Padeiras, com cerca de vinte anos de existência; a sapataria Iara, com seis anos de vida aqui na zona e implantada na Rua Visconde da Luz; a pastelaria Sírius, um estabelecimento com mais de meio-século e com sede na Rua da Sofia -embora esta actual gerência tenha cerca de meia-dúzia de anos de vigência.
Se nos dois primeiros estabelecimentos citados pouca informação se sabe, na vidraça da pastelaria Sírius pode ler-se um aviso com o seguinte teor: “Caros clientes, a Sírius encerra a partir de 1 de Agosto de 2017 para remodelação”. Por declarações prestadas sob anonimato, ficámos a saber que o estabelecimento mudou de mão para uma conhecida marca ligada a pastelaria e refeições implantada aqui na Baixa há cerca de meia-dúzia de anos -não cito o nome por não ter conseguido confirmação.
As razões para estes encerramentos, no meu entendimento, estão à vista de todos. Pode ler as explicações num outro texto que estou a preparar. Salienta-se, para reflexão, que a pastelaria Sírius está na Rua da Sofia, artéria classificada, em 2013, como Património Mundial pela Unesco. A razão para ninguém ligar ao que se está a passar no Centro Histórico da cidade é que deveria constituir um enigma. Ou talvez não. Podemos aventar, de duas uma: ou anda tudo cego ou vislumbram e fazem de conta que não vêem. Felizes daqueles que conseguem assobiar para o lado perante um desastre que ocorre num nosso vizinho.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

LONGA VIDA PARA O LUÍS CORTÊS







Por ontem ter dado uma queda e ter ocasionado fractura óssea, o Luís Cortês, um dos “Rostos Nossos (Des)conhecidos” e que faz parte do mobiliário e paisagem da Baixa de Coimbra, deu ontem entrada na urgência dos HUC, Hospitais da Universidade de Coimbra, onde se encontra a recuperar do traumatismo. Segundo informações junto da entidade hospitalar, felizmente, não foi tão grave quanto se constou hoje aqui no Centro Histórico.
Já se dizia que, pela gravidade do acidente, não voltaríamos a ouvir o Cortês a tocar órgão nem a Mariazinha, a dona de uma das mais importantes tabernas destes becos e ruelas, lhe voltaria a servir um copo e uma sardinha.
Para nossa congratulação, o Luís, após uns dias de estaleiro, estará pronto a, novamente, frequentar a Praça 8 de Maio e a encantar quem passa.
Muita saúde, Luís Cortês!