sábado, 16 de dezembro de 2017

COMÉRCIO: O APELO APÓCRIFO





Hoje, começou hoje a circular nas lojas comerciais o apelo apócrifo -”Que não foi reconhecido como devidamente inspirado ou não está incluído no cânone”- que se mostra em cima, para a convocatória de uma manifestação pública, na próxima quarta-feira. Dia 20, em frente à Câmara Municipal de Coimbra.
Vamos a analisar a folha escrita distribuída. Comecemos pelo arrazoado do texto. O que se transcreve no comunicado anónimo, pela imprecisão, é, no mínimo, surreal.
Reparemos nos parágrafos iniciais. Atentemos ao primeiro: “Vai ler ou vai directamente para o lixo e continuar a criticar sem nada fazer?
E no segundo: “Todos falam, outros escrevem mas ninguém haje” (age).
E passemos ao terceiro: “Não interessa quem teve a ideia. Foi de vários comerciantes. Juntos é que somos fortes.
E o quarto: “Em cima da hora? A correr? Talvez mas, estes últimos acontecimentos foram a última gota”.
Mais abaixo: “A Câmara será notificada porque assim tem de ser, a polícia também, e os media.
E logo a seguir a pérola: “Partidos políticos à parte. Se não quiserem dar a cara podem sempre comprar uma máscara de pai natal e até podemos ir todos de gorro. É exactamente alegria e vida que pedimos para a nossa baixa.
Deixando de parte os primeiros pela sua clareza nublada, este último parágrafo mostra como facilmente se dá um tiro no pé. Como é que se pode colocar de parte os partidos políticos se a decisão de revitalizar a Baixa comercial, para além de ser económica, é essencialmente uma questão política e passa pelos agrupamentos partidários representados no Executivo e Assembleia Municipal?
Como é que se pode ironizar com o “dar a cara” quando o autor(a) ou autores o que fazem aqui é exactamente esconder-se atrás de um anonimato?
Afinal, este comunicado não deveria vir identificado?
Quem vai pedir a licença para a manifestação?

OUTRAS PERGUNTAS

Imaginemos, por hipótese escassa, que o presidente da Câmara Municipal, Manuel Machado, na próxima quarta-feira, larga a reunião do executivo do Plano e Orçamento e aceita receber os responsáveis. Se não estão identificados, vão ser escolhidos em cima do joelho, “ad hoc”, para esse efeito?
Continuemos a sonhar, o grupo sobe as escadas dos Paços do Conselho. Machado, acompanhado com um assessor e um adjunto que conhece bem a zona comercial, está à espera da representação dos protestantes no gabinete da presidência. Depois dos cumprimentos da praxe interroga: O que querem os senhores que a Câmara faça?
Os membros da representação vão reivindicar o quê? Isto?

*Estacionamento nos parques particulares pago pela autarquia?
*Rendas comerciais, de propriedade privada, mais baratas?
*Posse administrativa para as lojas encerradas há muito tempo?
*Obrigar os privados a realizar obras nos seus prédios?
*Trazer lojas âncora (de marcas) para a Baixa?

A velha raposa, cheia de manha, cofiando a pera e todo a rir-se por dentro, com uma voz de tenor bem colocada mas carregada de paternalismo, vai dizer mais ou menos isto: meus senhores a Câmara Municipal não tem legitimidade para interferir nessas premissas que os senhores apresentam. A lei não permite. Não têm outras pretensões que esteja dentro do nosso alcance?
Os protestantes vão olhar-se entre si sem saber o que dizer. O chefe da edilidade, adivinhando a atrapalhação, vai retorquir: as obras que começaram agora no “Bota-abaixo” aconteceram pela urgência que a edilidade tem em abrir a Avenida Central. Para cumprir o prazo da obra consignada mandei começar as obras imediatamente pelo amor que tenho por esta zona e até preocupação pelo que se passa com os comerciantes. Podem ir descansados que estou profundamente interessado na revitalização da Baixa. Tenho noites que nem durmo a pensar nisto. Devem lembrar-se que o meu “Valorizar Coimbra” foi a bandeira da minha recandidatura. Estão lembrados, não estão?

E A APBC? COMO É QUE ESTÁ NISTO?

A Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC), a única entidade de proximidade junto dos comerciantes, qual é o seu papel nesta manifestação de comerciantes? Foi contactada para intervir?
Se foi, qual vai ser a sua posição? Vai estar ao lado de Machado ou à frente do (talvez) enorme e ruidoso grupo de protestadores?
Se não foi convidada deveria ter sido. É a sua prova de vida que está em jogo. Se não se envolver neste processo vai acabar mais depressa do que se pensava. Estatutariamente, pela falta de outra associação representativa da classe -já que a ACIC faliu-, é a esta entidade que, juntamente com os reivindicativos anónimos, cabia negociar com a Câmara.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

CONTINUIDADE N'A PREVIDÊNCIA PORTUGUESA

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Em eleições ontem realizadas na sede de A Previdência Portuguesa para os três órgãos estatutários, ganhou a Lista B, liderada por Martins de Oliveira, na continuidade do mesmo programa e metodologia na administração cessante.
Com três listas a concurso, dos mais de 6000 associados d'A Previdência Portuguesa APP) votaram 558 membros -o que não significa que este fosse o número de presenças no importante acto dos destinos da grande associação mutualista. Muitos fizeram-se representar através de credencial e delegaram noutro membro a responsabilidade de depositar o voto na urna.
Segundo o Diário de Coimbra, 243 votaram a favor da B. A lista C, comandada por Fausto Dinis, obteve 153 votos. A lista A, com Arménio Pereira à cabeça, viu ser-lhe capitalizados 162 votos.

UMA DIVISÃO FATAL

Quem não se sente bem representado, como é o meu caso, só tem uma caminho, bate com a porta e adeusinho até qualquer dia

Com uma administração contestada por alguns membros -como eu, que fui até hoje associado-, a verdade nua e crua é que uma maioria votou a favor da continuidade. E se votou está votado. Glória aos vencedores e respeito para os vencidos. Quem não se sente bem representado, como é o meu caso, só tem uma caminho, bate com a porta e adeusinho até qualquer dia. Pode ser considerado mau perder? Se calhar é o mais provável, mas não tinha alternativa. Não posso continuar a fazer parte de uma associação com uma administração que não respeita a vontade soberana dos associados, através da Assembleia-geral, que é, como se sabe, o órgão de fiscalização do executivo de uma entidade agrupada. Embora já tivesse descrito em outro texto, para melhor exemplificar, há cerca de um ano, foi recebida n'A Previdência Portuguesa uma carta-anónima em que eram tecidas considerações pouco abonatórias para o presidente da direcção, que se tornou do conhecimento do Conselho Fiscal e presidente da Assembleia-geral. Ora, em face do teor da missiva, no mínimo lesiva da boa imagem, o que fizeram todos, e mais particularmente o presidente do Conselho de Administração? Arrumaram a carta numa gaveta e “fecharam-se em copas”. Primeiro, pela declaração clara e objectiva, é preciso esclarecer que o autor da mensagem sem endereço, alegadamente, teria sido um membro de um dos três órgãos tutelares, Conselho de Administração, Conselho Fiscal e Assembleia-geral. O que se, por um lado, torna o filme numa tragicomédia, por outro, quer dizer que, se houvesse vontade de acabar com a calúnia, limpando o bom-nome, era muito fácil de chegar ao cobarde acusador. Como disse, repetindo, não houve. A má nova ficou no segredo dos deuses, pelo menos até o conhecimento da sua existência ser levado por mim à Assembleia-geral -saliento que o versado não foi abordado, já que a ser, por obrigação moral e ética, tal teor deveria caber ao presidente, visado e responsável pelo executivo.

OS MALABARISTAS

Há sempre os manobradores, os jogadores na sombra, que, em surdina, fazem acusações ao desbarato aos que exercem o mando e tentam incendiar, mas sempre resguardados. São iguais ou pior do que o contestado por si. Utilizam todas as armas para alcançarem os seus objectivos.

Mas é interessante também contar como é que o conhecimento da missiva me chegou às mãos. Nestas e noutras instituições há sempre jogos de poder. Há sempre os manobradores, os jogadores na sombra, que, em surdina, fazem acusações ao desbarato aos que exercem o mando e tentam incendiar, mas sempre resguardados. São iguais ou pior do que o contestado por si. Utilizam todas as armas para alcançarem os seus objectivos. O que os move é sempre o interesse pessoal, financeiro ou outro. Ou seja, em estratégia bem pensada em longas noites de insónia, com um discurso muito ético, de puta fina, tentam fazer de outros o que lhes cabia se fossem pessoas dignas, mas não são. São desprezíveis interesseiros. Nunca dão a cara.
Voltando ao meu caso, depressa verifiquei que estava a ser utilizado mas também não desarmei. Fosse quem fosse que escrevesse a carta-anónima, fossem lá quais as suas intenções, era preciso testar a forma de estar da administração. E prossegui. Depressa verifiquei que o esclarecimento, num certo uso e costume apreendido por mim, não era a doutrina perseguida. Até fui maltratado verbalmente pelo presidente da assembleia-geral ao dizer que “não estávamos em campanha eleitoral” -queria dizer que eu, através do protagonismo, pretendia um lugar na administração. Erro seu, fui sondado para fazer parte destas eleições e não aceitei.
E mais: quando o presidente, com a justificação de uma gestão mais profissionalizada, depois de chumbada numa primeira assembleia, consegue aprovar um ordenado para si de 1,250 euros e para o seu vice-presidente 1,200 euros, vi logo que eu não pertencia aquele estranho mundo. Claro que o argumento do dia é sempre o mesmo: que todo o trabalho deve ser pago. Mas quando aceitaram os cargos sabiam que era pro bono, não sabiam? A cereja em cima do bolo foi quando, há cerca de três meses, conseguiram aprovar a prorrogação de três para cinco mandatos. Ou seja, o limite para se perpectuarem no poder, em vez de nove, passou para 15 anos. Todos estes procedimentos são ilegais? Não, não são contra a lei! Do ponto de vista ético são é muito discutíveis. Mas os associados não pensam?
Uma coisa é certa: o concurso de três listas foi fatal. Se nestas eleições tivessem apenas concorrido duas, pelos vistos, teria ganho a oposição e o resultado seria o inverso do que aconteceu.

É PRECISO ALTERAR A LEI DAS ASSOCIAÇÕES

Se não for alterada a lei, tudo indica, a curto ou médio prazo vamos ter mais casos “Raríssima” -ou, como em Coimbra, o caso da insolvente ACIC, Associação Comercial e Industrial de Coimbra. Cada vez mais os associados participam menos nas suas associações. Não querem saber nem procuram inteirar-se do que se passa. Já que voluntariamente não aparecem nas assembleias-gerais nem nas eleições, é preciso obrigar através da lei. Por exemplo, se não coopera na vida da associação não poderá usufruir de uma série de prerrogativas -e este procedimento deveria ser extensível às eleições realizadas no país. Se a participação na vida pública é um DIREITO constitucional plasmado (artigo 48º da CRP) por que não deve ser também considerado DEVER? Mais: se “o poder político pertence ao povo e é exercido nos termos da Constituição” (artigo 111º da CRP) , só se verificará a sua eficácia de facto no exercício desse mesmo povo. Se um cidadão não se voluntariza em acções de responsabilidade cidadã, que são determinantes para o futuro colectivo, numa igualdade ferida de ilegitimidade, não pode usufruir o mesmo que outros que se esforçam pela cooperação.
Voltando às associações, se “O sufrágio é universal, igual e secreto e reconhecido a todos os cidadãos maiores de 18 anos, ressalvadas as incapacidades da lei geral, e o seu exercício é pessoal e constitui um dever cívico” (artigo 48 ponto 2 da CRP), como entender que se continue a aceitar o voto por correspondência e, sobretudo, a procuração como instrumento legal?
A continuar assim, dificilmente no futuro haverá mudança n'A Previdência Portuguesa. Mas a quem importa isso?

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

COMÉRCIO: O TEMPO PASSA, OS POLÍTICOS MUDAM DE LUGAR, MAS TUDO CONTINUA PARA PIOR






Com a manifestação que, aparentemente, está em marcha para levar ao conhecimento da Câmara Municipal de Coimbra, na próxima quarta-feira dia 20, o que está acontecer com o comércio da Baixa, vale a pena recordar o que se passou em Abril de 2010 quando se realizou um jantar entre comerciantes e a ACIC, Associação Comercial de Coimbra, no restaurante Jardim da Manga.
Comecemos pelos problemas desse tempo. Facilmente se verifica que tudo continua na mesma linha, para pior, obviamente. Reivindica-se o quê? Ora comecemos por ler esta minha crónica sobre o jantar:

Cerca das 20H30 a mesa em U do bonito restaurante Jardim da Manga, preparada para receber 60 pessoas –faltaram 3-, começou a ser ocupada pelos homens do comércio.
Enquanto se ensaiava no “couvert”, a conversa fluía. Embora as notas fossem em dó maior, assim do tipo “eu sou do tempo em que na Rua dos Sapateiros se andava em fila indiana”, para preparar o grande concerto que se avizinhava, cada um, afinando a voz, queixava-se dos problemas que afligem a Baixa. Referiam a falta de estacionamento, as lojas chinesas, a insegurança, a falta de pessoas a circular durante o dia e à noite, a falta das montras iluminadas durante a noite, etc. Para disfarçar o nervosismo, individualmente, procuravam fazer-se ouvir nas suas razões.
De vez em quando, como ovos mal cheirosos lançados ao acaso, surgia a frase: “a câmara está ao serviço do “Grande Capital”! Mais ao lado, dizia outro, “a retirada do trânsito da Baixa foi a sua morte!”. Outro ainda, e sem referir nomes, conta que um blusão numa loja de chineses custa 7,50 euros, umas calças de ganga 3,50 euros. Com estes preços alguma vez se pode ganhar dinheiro? Isto é a morte do comércio tradicional!”.
Diz outro ainda: “a China ainda só agora está começar. Ainda estamos no princípio da invasão dos seus produtos na economia global. Eu estive na China várias vezes ao longo destes 25 anos. Conheço quase tudo! Um dia, estava lá, e vi fuzilar 537 chineses, inclusive um chefe de polícia.
Há 15 anos disse-me uma funcionária governamental: o mundo ocidental deve preparar-se para a invasão chinesa. Nós temos 1/5 da população mundial e temos de os alimentar todos os dias!”.
Dos cerca de 56 comerciantes presentes, estiveram os mais velhos da praça e ainda a trabalharem nas suas lojas: o Quirino, da sapataria Trinitá, o senhor Carvalho, da Loja das Meias, e o senhor Manuel Mendes. O que levou este último a referir com graça, que ele e o Carvalho somavam 160 anos.
A perfazer a soma de 57 esteve Carlos Clemente, enquanto presidente da Junta de São Bartolomeu. O presidente da junta de Santa Cruz, senhor Pinto, embora convidado, não compareceu.
Veio a sopa, o conduto e, como por milagre, todas as reivindicações se apagaram. Evidentemente que era uma pausa para afiar as espadas.
A batalha verbal, como quem diz, os argumentos lançados no muro das lamentações, começou às 21H45.
Abre a sessão o Dr. Martins, da ACIC. “Não há soluções milagrosas para o comércio, a ACIC está empenhada em encontrar soluções”, enfatiza.
Segue-se Paulo Mendes, presidente da Associação Comercial e Industrial de Coimbra (ACIC). “É com todo o gosto que temos aqui mais de 50 pessoas. Todo o comércio está em crise. Estamos aqui para um debate. Estamos aqui para procurar soluções.
O comércio está em crise há 20 anos, desde a implementação das grandes superfícies. A principal razão é porque não se vende. E não se vende porque não há quem compre. Há excesso de oferta de estabelecimentos comerciais. Quatro grandes grupos económicos dominam o comércio nacional. Há concorrência desleal –pelos horários, que os comerciantes de rua não podem competir, e pela política de saldos e promoções. A maioria dos produtos transaccionados nas grandes superfícies é produzida nas economias emergentes.
Os jornalistas são culpados na divulgação dos assaltos na Baixa. Isso aumenta o sentimento de insegurança… têm uma atracção pelo Centro Histórico. Não sei porquê!” –explanou Paulo Mendes, presidente da ACIC.
Seguiu-se Armindo Gaspar, presidente da APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra. “Lamento que os comerciantes não se envolvam nos projectos da APBC. O que nos move, e que fique sublinhado, é que a Baixa renasça da apatia em que se encontra. Gostaria de fazer mais, mas não temos meios. Trabalhamos em prol de um objectivo comum: a Baixa”.
Seguiu-se Carlos Clemente, presidente da junta de freguesia de São Bartolomeu. “Sou autarca. O melhor para resolver os problemas do comércio é passar pela comunicação social. Só assim é que a autarquia os resolve.
Estou à vontade, já disse ao presidente da câmara que não tenho filhos para empregar na autarquia. É confrangedor ver as montras às escuras. 60% dos estabelecimentos tem as montras apagadas.
A ACIC é representante dos comerciantes. A APBC existe, e foi criada, para promover o comércio da Baixa.
Só deveriam ser licenciadas gratuitamente as esplanadas dos cafés que estivessem abertos até ás 22/23 horas. Deve haver actividades culturais permanentemente na Baixa.
Desiludam-se as pessoas que pensam que as câmaras de video-vigilância resolvem o problema da insegurança na Baixa. Sem policiamento de proximidade acessório os assaltos irão continuar”, declara Carlos Clemente.
Gostou? Quer continuar a ler tudo o que se passou no reputado restaurante?

já agora, se gostou assim tanto, quer ler outra crónica sobre as reivindicações dos comerciantes?... Em Abril de 2010... Não se esqueça:

Ontem, quem esteve presente no jantar reivindicativo dos comerciantes, se tomou atenção, verificou que um dado ficou latente: aquelas cerca de seis dezenas de pessoas sabem o que querem. Sabem que aspiram a venderem mais de modo a que possam continuar na Baixa com os seus negócios. Sabem que, se for preciso, pela força, lutarão contra um poder omnipotente que lhes retirou tudo: a sua vida desafogada e até a força anímica.
Há porém um pormenor importante que ressalta: este pequeno exército não sabe como chegar ao destino que procura. Todos têm armas de argumentação que individualmente esgrimem, como D. Quixote a lutar contra o vento. É notório que a sua força argumentativa se perde no individualismo e na necessidade obsessiva de cada um se fazer ouvir a pugnar por medidas incoerentes, desconexas e sem contexto para o momento aflitivo que vive o Centro Histórico.
Uns, com grande convicção, defendem o estacionamento gratuito na Baixa. Errado. Sabe-se bem que o onerar os automóveis é a única forma possível de evitar que estejam parados naquele lugar de manhã até à noite. Para além de mais –concorde-se ou não-, os investidores privados investiram nos parques de estacionamento, logicamente que têm todo o direito legítimo a serem ressarcidos com lucro.
Outros referem, com grande indignação, a não intervenção da autarquia na implantação de lojas chinesas. Errado. A câmara nada pode fazer contra o comércio chinês. Se a Comunidade Europeia subscreveu e ratificou o Tratado da Organização Mundial de Comércio, na livre circulação global, o que pode uma pequena autarquia fazer? Nada vezes nada. Se Bruxelas não sabe defender os interesses dos seus 27 países… isso é outra coisa.
Gostou? Quer ler tudo? Clique aqui em cima desta frase.

O CORREIO DA MANHÃ A DAR ECO À CRISE COMERCIAL DA BAIXA

Obras tramam comércio na Baixa de Coimbra




Obras tramam comércio na Baixa de Coimbra Proprietários dizem-se prejudicados com os trabalhos iniciados a poucos dias do Natal, a época forte de vendas.”
Dezenas de comerciantes da Baixa de Coimbra estão revoltados com a câmara por ter iniciado obras e vedado um espaço junto à Loja do Cidadão, sem aviso prévio e na época de Natal, "prejudicando o negócio". A juntar à vedação que dificulta o acesso de pessoas e estacionamento, os comerciantes queixam-se da falta de iluminações e música de Natal nas ruas. "Sentimo-nos discriminados e abandonados pela câmara. Este ano, para ser a cereja em cima do bolo, fecharam uma zona de estacionamento, o que impede a vinda de pessoas às lojas. O Natal é a época forte para o negócio e por causa de 15 dias saímos afetados", explica Francisco Veiga, comerciante.”


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

COMÉRCIO: QUANDO A CRISE APERTA...





Ao que consegui saber -que, pelos vistos, não há um rosto para encabeçar o movimento-, com muita espontaneidade, está em marcha uma série de iniciativas para levar ao conhecimento da Câmara Municipal de Coimbra o estado decrépito a que chegou o comércio na Baixa. Em surdina é pedido a quem noticia que não se dê uma ideia de “desgraça” ou parecer que quem vende é um “coitadinho” -acima de tudo que o orgulho de bem-parecer numa classe que já foi não se perca. É preciso cuidar da imagem. Nada de exageros. Homessa!
Hoje mesmo, cerca das 17h00, convocada por comerciantes, andou nesta zona baixa uma equipa do Correio da Manhã/CMTV a recolher imagens e depoimentos de vários profissionais do comércio, que, a seu modo e forma de sentir, contaram como estão a passar este momento de grande aflição no Centro Histórico.
Para além disto, está a passar de boca-em-boca a convocatória para uma manifestação em frente à porta da autarquia, no próximo dia 20, quarta-feira, em que, simbolicamente, serão entregues as chaves dos estabelecimentos ao presidente da edilidade, Manuel Machado -que, como é óbvio, quase apostava que não irá falar com os manifestantes.
E mais, segundo o porta-voz do movimento que prefere não ser identificado, através de vários meios de comunicação, incluindo as redes sociais, vai ser recomendado a todos os lojistas que, em solidariedade, encerrem os seus negócios entre as 16h30 e 17h30, mesmo que não se desloquem aos Paços do Concelho.
E mais ainda, aos que não se deslocarem e encerrem as portas durante uma hora, será pedido que coloquem na porta da sua loja a seguinte mensagem:

Manifestação de comerciantes feita de inércia camarária


A NATUREZA É LIXADA...

Sobretudo através do blogue, ando há vários anos a alertar para o que está acontecer. Há alguns comerciantes -agora preocupados e, a toda a pressa, a fomentarem acções de protesto- que, apelidando-me de alarmista, até deixaram de me falar. Agora, com o fogo a chegar à sua porta, no estado de empobrecimento em que caiu o comércio de rua, já consideram que afinal (infelizmente) tinha razão nas minhas chamadas de atenção e, em cima do joelho e sem planeamento, é preciso fazer uma manifestação na rua. Depressa! -invocam em apelo.
Com sinceridade, não me dá prazer nenhum que, ainda que tardiamente, fosse reconhecida a hecatombe em marcha. Sem dúvida, já se deveria ter tomado posição e feito alguma coisa. Para muitos, como é de calcular, já vai tarde. Por muito que me custe, afirmo: pela falta de coragem que sempre reinou nesta classe, os comerciantes têm o que merecem!
Para terminar, se acredito que este presidente (que temos e que alguém elegeu), Manuel Machado, é capaz de tomar alguma iniciativa a favor dos comerciantes? Não, não acredito. Ele está preocupado com a Baixa mas é com a sua cosmética, o estado das ruas, rotundas e zona do Convento de São Francisco, na margem esquerda. Com a vida financeira dos negociantes, creio, pouco lhe importa. Afinal o seu ordenado está sempre garantido. Como dizia o outro: votaram nele, não votaram? Então, gramem-no! Coimbra tem o que merece!


REBENTOU UMA CONDUTA DE GÁS NO “BOTA-ABAIXO”





Provocado por uma máquina de arrasto no levantamento do alcatrão, cerca das 17h30, rebentou uma conduta de gás no “Bota-abaixo”, em frente à Loja do Cidadão. Segundo um funcionário da obra que pediu o anonimato, “não se consegue perceber como é deixaram um tubo de passagem de gás a cerca de 10 centímetros do solo.
Segundo o mesmo funcionário, “não há perigo de explosão. Podíamos chegar lá um isqueiro aceso que não haveria propagação.
À hora a que tomei conta da ocorrência, um outro responsável falava para os bombeiros para se deslocarem ao local e tomarem providências.

NASCEU O PILAR PICOITO... O QUE É ISTO?





Coladinho na “esquina dos mortos”, na Rua do Corvo e frente para a Praça 8 de Maio, o anúncio de um nascimento salta à vista. Como um retratado esboço de um boneco rechonchudo dos anos de 1950, ficamos a saber que, “ontem, sexta-feira, dia 8, pelas 13h00, naMaternidade Luís de Matos”, nasceu o Pilar Picoito. Ficamos também a saber ainda que o nascituro “encontra-se em casa na baixa de Coimbra”, e que, “findas as cerimónias natais, vai ser mimada em casa e arredores”.
O anúncio do “infeliz” -a tomar em conta o discurso do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus- está “assinalado” em nome da “Maternidade Luís de Matos” -que não existe- “fazemos magia”.
O que é isto? É publicidade ao mágico Luís de Matos? É para nos fazer pensar que em contrabalanço aos que partem na grande viagem se deveria anunciar os que entram neste mundo de tormentos? É uma brincadeira generosa de autor desconhecido como outra das colagens de cartazes em lojas vazias?
Responda quem souber.



TAPAR O SOL COM A PENEIRA...




Segurança Social recusa divulgar contas de IPSS que têm de estar na Net

Todas as empresas são obrigadas a tornar públicas as suas contas. As Instituições Particulares de Solidariedade Social são obrigadas a publicá-las nos seus sites, mas a tutela diz que elas são “confidenciais”.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

PREVIDÊNCIA PORTUGUESA: UMA PEÇA POUCO IMPARCIAL DO DC

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(Imagem retirada da Web)




Começo com uma declaração de amor: sem pretender mostrar menosprezo pelos outros jornais que se publicam na cidade -já que sou leitor assíduo e respeito todos por igual-, tenho um carinho muito especial pelo Diário de Coimbra (DC). Pode ser, ou não, a mesma expressão de afecto que se tem sempre pelos mais velhos. O que sei é que sou assinante desde 1982.
Sempre que detecto no DC trabalhos noticiosos parciais ou, no mínimo, com um objectivo pouco claro de beneficiar alguém, tapar o sol com a peneira, sinto-me frustrado e sou tomado de uma vontade imediata de deixar de ser assinante. Todos anos, na data de renovação, em solilóquio, falando comigo, digo que não vou continuar a alimentar uma peça de teatro trágico que serve apenas os mais bem-postos na vida. Na hora de renunciar, começando a pesar a relação de amizade que durante muitos anos me ligou a Adriano Lucas, o falecido emérito director, pesando os prós e contras, reavalio a minha posição e continuo. Em balanço, lembro-me que, tendo em conta o momento de grave crise que toda a imprensa diária está a passar e o quanto é importante para a informação geral, é preciso o contributo de cada um de nós, mesmo em enorme esforço, para continuarmos a contar com os seus serviços noticiosos. A questão é: se eu me preocupo com a saúde financeira dos media, será que os mesmos, ao não fazerem o seu trabalho com independência, estão a preocupar-se comigo? Será que merecem o meu estímulo?
E trouxe à colação esta longa introdução porque hoje, perante uma notícia do DC, voltei a sentir a mesma sensação de desgaste e vontade de deixar de assinar este, ou outro qualquer jornal da cidade -já que, a meu ver, o problema é transversal. A nossa imprensa diária sofre de estigmatismo e, na hora de apresentar uma notícia, não faz nada para o esclarecimento público. É certo que podemos sempre adivinhar que estamos perante jornalistas inexperientes. Mas não é verdade que o seu trabalho é supervisionado pela redacção do jornal?
Sem mais delongas vou directamente ao assunto. Hoje, na página 5, o DC, sob o título “Lista de continuidade pretende rentabilizar (mais) o património -PREVIDÊNCIA António Martins de Oliveira, da Lista B, quer ainda um lar e concluir a farmácia social”.
Antes de prosseguir esclareço que se trata de A Previdência Portuguesa, uma reputada instituição mutualista fundada em 1929. Como ressalva, sou associado desta associação desde 1980. Acrescento ainda que no próximo dia 14, quinta-feira, vão realizar-se eleições para os três órgãos estatutários, direcção -alterado pomposamente para Conselho de Administração-, Conselho Fiscal e Assembleia-geral. Ao sufrágio apresentam-se três listas, a A, a B, de continuidade do actual executivo, e a C.
Ora, para melhor se entender, o que fez o DC sobre a apresentação da candidatura dos dirigentes da continuação e com a notícia de hoje? Em quase meia-página faz apologia, explicando e dando corpo ao auto-elogio, do actual Conselho de Administração. Às restantes listas a concurso, no início do texto, apenas faz referência no curto fraseado “Rejeitando críticas de gestão danosa e negócios ruinosos apontados pelos candidatos das outras listas concorrentes à administração da Previdência Portuguesa, o actual presidente e recandidato António Martins de Oliveira garante “honestidade” e socorre-se dos números das contas para mostrar que a instituição nunca como hoje esteve de tão boa saúde e isso deve-se à gestão levada a cabo pela actual equipa”. E nada mais diz sobre o que pensam os outros antagonistas sobre o que se passa e o que trazem de novo para mudar a Previdência. Quem são? O que pretendem? Porque concorrem três listas neste sufrágio quando em eleições anteriores quase não houve concorrência?
O leitor do DC não tem o direito de saber? E os associados da agremiação mutualista? Ou, pelos vistos, só interessa conhecer o que importa à direcção de continuidade? Enquanto órgão de informação independente, o DC tinha ou não obrigação de, em equidade e transparência, falar de todos o que se apresentam ao pleito?

TENHAM DÓ...

Pode até pensar-se que sou simpatizante de uma das outras duas listas. Sou por exclusão de partes. Enquanto associado com as suas quotas em dia, votarei em uma qualquer lista que não seja a actual. Os membros da continuidade, enquanto executivo no seu todo, não me merecem respeito nem confiança. E quando escrevo isto não estou a pensar nas acusações veladas que recebi de outra lista opositora em relação à congénere. Afirmo que esta direcção não me merece credibilidade pelo que fui apreendendo no último ano. Foi recebida uma carta anónima com acusações à actuação do actual Concelho de Administração. O que fez este executivo? Levou a carta à Assembleia-geral para ser analisada pelos sócios e pedir uma moção de confiança? Apresentou participação no Ministério Público contra o (des)conhecido autor? -que esclareço, alegadamente teria sido escrita por um membro da direcção e era muito fácil descobrir tudo. Não, o que fez foi esconder a missiva anónima de todos os associados. O assunto só foi falado numa Assembleia-geral porque eu denunciei o comportamento pouco claro deste Concelho de Administração. Mesmo assim alteraram a sua compostura? Nada, nem mesmo com a ameaça de levar o caso até às vias judiciais. O caso da carta anónima, para a maioria dos associados, vai manter-se no segredo dos deuses.

UM ORDENADO PRINCIPESCO...

Não se sabe como é que associados em pleno gozo das suas faculdades mentais podem votar numa assembleia para que o presidente do Conselho de Administração passe a auferir 1,250.00 euros e o vice-presidente 1,200.00 euros por mês. A verdade é que a proposta, depois de ter sido chumbada, foi aprovada. Pode até pensar-se que a remuneração iria trazer muitos dividendos à instituição. À minha pergunta sobre o que justificava este ordenado principesco, foi-me dito que, já que a lei dava cobertura desde que aprovado por maioria qualificada de dois terços como o que aconteceu, “o que se procurava era ter uma gestão mais profissionalizada”. E nada mais!

PROMESSA DE ESCUTEIRO...

Fica aqui escrito que se esta actual direcção de continuidade ganhar as próximas eleições, na sexta-feira, a seguir ao sufrágio, apresentarei a minha demissão de associado de A Previdência Portuguesa. Ganhe quem ganhar, estou a torcer solenemente para que seja outra qualquer. Na minha condição de associado, a actual não merece a minha confiança, e muito menos o meu voto, repito!
Quanto ao Diário de Coimbra, se continuar a ser pouco idóneo com as questões da cidade e de cidadania e não procurar uma postura mais imparcial será o último ano que assinarei as suas edições. Águas passadas, saudades de um tempo que já lá vai, não movem moinhos.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

BAIXA: A PRENDA DE NATAL DO PRESIDENTE




Hoje o Largo das Olarias, a área envolvente à Loja do Cidadão, apareceu completamente sitiado por gradeamentos em rede de ferro e cerceando o acesso de pessoas e automóveis.
O que é isto? Poderia ser a pergunta formulada pelo transeunte mais curioso. Segundo um dos alguns funcionários presentes no local junto de duas máquinas de terraplanagem, “estas obras têm por objectivo substituir o alcatrão por paralelos para impedir o trânsito automóvel nesta área”.
Em especulação, sabendo todos que o “Bota-abaixo” -como é conhecido- foi e sempre será uma espécie de porto de confluência e de entrada na zona comercial da Baixa, a quatorze dias do Natal, quando o comércio de rua se arrasta pelas ruas da amargura, faz algum sentido as obras começarem agora? Talvez faça se entendermos que é uma prenda envenenada de Manuel Machado para os comerciantes. Continuando a especular, é como se fechando este acesso, quem vem de fora para comprar ou adquirir serviços na Baixa, constatando a confusão, dê meia-volta e vá para as grandes áreas. Se bem que, pelo procedimento em anos anteriores, nem é de admirar este comportamento.
Continuando ainda a especular, esta é a prova provada de que o presidente da autarquia nunca se interessou por esta zona comercial. É o facto consumado de que se está a marimbar para quem aqui luta, com a sua presença diária, para engrandecer esta parte da cidade.
Se alguém entender agradecer a prenda recebida, faça o favor de se manifestar.


O QUE É ISTO?





Duas lojas desocupadas e encerradas há vários anos na Rua Eduardo Coelho apareceram hoje com dois cartazes, de alguma dimensão, colados nos vidros das montas. A mensagem está em inglês e transmite isto mesmo:

Runtime error

Program: c:\Coimbra\Downtown\local\commerce.exe

this store has requested the runtime to terminate it in an unusua way. please contact the Coimbra's City Hall support teame for mor infomation.

Numa tradução macaca:

Erro de tempo de exercício


Esta loja solicitou o tempo de execução para terminá-lo fora de prazo. Entre em contacto com os serviços da Câmara Municipal de Coimbra para uma melhor informação”

Se por um lado a informação nos remete para os serviços da Câmara Municipal de Coimbra, por outro, estranhamente, o endereço electrónico indicado é de sites de lojas online.
Alguém pode explicar melhor a intenção deste acto? É um protesto? É publicidade?

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

BAIXA: PROCURA-SE A MAGIA DO NATAL





Apesar dos dias solarengos e sem chuva -era tão normal nesta época cair morrinha-, com o Sol a irromper por nesgas e betesgas e a beijar descaradamente as ruas largas, Visconde da Luz e Ferreira Borges, e largos e praças como a 8 de Maio e a Portagem, a verdade é que, pela proximidade do Natal, se nota uma ausência de essência, de qualquer coisa que falta na Baixa. Como se o circundante estivesse petrificado em pedras milenares e lhe faltasse o encantamento, a magia, desta época, “pressente-se” uma tristeza no ar, uma certa carência do espírito de outros tempos e tão envolvente nesta quadra. É como se os adultos se apresentassem mais velhos, não amolecessem, se mostrassem de rostos duros e fechados, e não ganhassem aquele brilho nos olhos que os transforma e faz parecer crianças crescidas.
A pergunta que emerge é: porquê? Claro que não sei, nem procuro dar resposta objectiva. No máximo posso especular sobre o perceptível -aos meus olhos- esmorecimento sorumbático que se abateu sobre a maioria -digo eu- de pessoas que transitam pelo “bairro baixo” -a título de curiosidade, em meados do século XIX a Baixa era tratada como o “bairro baixo” e a Alta como o “bairro alto”. Como a tristeza é contagiosa, como se adivinha, passou também para os turistas, que nos visitam, e para os comerciantes.
Prosseguindo, por um lado, tenho para mim que a acelerada mudança de costumes está enterrar a alma do Natal em campa rasa. As crianças ainda acreditam no Menino Jesus? Ainda projectam no Pai Natal o mítico fornecedor de brinquedos especiais? Sem pretender ser conclusivo, creio que não. Pela materialização, pela necessidade de saber e mostrar tudo e fazendo cair os mitos, pela desvalorização das coisas, o feitiço desapareceu. Salvo pequenas parcelas da população portuguesa, os nossos infantes de hoje não têm dogmas, não crêem em entidades sobrenaturais, são seres pragmáticos gerados num tempo de informação com acesso rápido a todas as perguntas, são extensões computorizados. O dogma, enquanto materialização do pensamento assente na convicção de existência, no acreditar sem ver, assenta sobretudo na necessidade; na noção de incompletude, e finitude, do homem, na dúvida em, com ajuda de algo que o transcende, fazer acontecer. Portanto, se as crianças, por um lado, são ainda muito tenras para pensar nestas questões metafísicas, por outro, também é certo que é desde pequenino que se semeia a crença. Ora, enquanto adultos, enquanto pais, digo eu, estamos a construir pequenas máquinas que, aparentemente, sabem tudo sobre a geografia do mundo mas não têm experiência real de nada. E julgam ser auto-suficientes. O pior é que, por culpa nossa em tanto pretender a sua protecção, são melindres de fragilidade e, obsessivamente, são tomados pelo medo em pânico continuado.
E os adultos? Por que já pouco ligam ao Natal? Se calhar, pelas crises que a sociedade está a atravessar, da dissolução da família, da instabilidade económica, do desiquilíbrio social, na descrença da política. Pela falência de um sistema económico que prometeu de mais e agora, depois da poeira assentar, nos pede dividendos com muitos juros que mal conseguimos saldar. Por outro lado, estou convencido que as tragédias que se abateram sobre Portugal em Junho e Outubro espalhou no país uma neurose colectiva. Ver centenas e centenas de pessoas na miséria, psicologicamente, acabou por nos tocar a todos. Fez-nos ver que a linha que divide o bem-estar hoje e o mal-estar amanhã é muito ténue.
Por outro lado, ainda no tocante à Baixa, o desinvestimento que a Câmara Municipal de Coimbra fez este ano nas iluminações natalícias, nas ruas, acentua e sublinha ainda mais a diferença com os tempos áureos e, mesmo sem o querermos, a nostalgia entra dentro de nós, deprime, angustia, e gera ansiedade. Se a aposta na felicidade colectiva deveria ser uma preocupação constante dos líderes que nos governam, este procedimento do presidente do executivo deixa muito a desejar. Será esta a sua manifestação de carinho por Coimbra? Na sua valorização? Meu caro Manuel Machado, enquanto parte dos conimbricenses, fico com a impressão que ainda vamos acabar todos subnutridos de amor. 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

EDITORIAL: O ESTADO “SOMMES-NOUS”?

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)





Há dois dias, na Página da Câmara Municipal de Coimbra (Não Oficial), no Facebook, foi postado um vídeo e um sentido pedido de ajuda de uma mãe em desesperança: “SOU UMA MÃE DESESPERADA... AJUDEM-ME A AJUDAR O MEU FILHO!!!!! Amanhã pode ser o vosso! Peço-vos que vejam até ao fim e que deem o vosso contributo... Comentem, Partilhem, sugiram... Desde já o meu bem haja!
Quanto à senhora, que não conheço, dá pelo nome de Maria José Verdete. Quanto ao vídeo, trata-se de uma exposição de um caso de “bulling” sofrido por seu filho e que, pela angústia de falta de respostas, foi levado à SIC, ao programa “Linha Aberta - Com Hernâni Carvalho”, na emissão do passado 28 de Novembro.
De grosso modo, a história conta-se assim: o seu filho, com treze anos, é aluno de uma escola da zona de Coimbra e, conforme o alegado no programa, já há muito que, por parte de outros colegas, lhe é infligido “bulling” -este comportamentoé caracterizado pela violência física e/ou psicológica, de forma intencional e continuada, de um individuo, ou grupo contra outro(s) individuo(s), ou grupo(s), sem motivo claro”.
Prosseguindo na explicação sumária, como a criança tem medo de frequentar o estabelecimento de ensino onde se encontra matriculada, na subsequência, está ser medicada até para dormir. Acompanhada de perto pela CPCJ, Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, e por um psicólogo, um pedo-psiquiatra e pelo médico de família, a criança tem vindo a manifestar outras derivas psico-somáticas. É de opinião dos clínicos que o adolescente deve ser transferido com urgência para outra escola. Contactaram a DIGEstE, DIREÇÃO-GERAL DOS ESTABELECIMENTOS ESCOLARES , em Lisboa, e apresentaram uma exposição para o drama que, juntamente com o herdeiro, estavam a viver noite e dia. Da capital veio o deferimento para que, em face da gravidade do problema, o seu miúdo pudesse ser transferido para uma escola profissional na área da Aguieira. O catraio mudou-se para a nova escola e, pelo que é dito no vídeo, estava a gostar e a adaptar-se bem. Já sorria e até dormia melhor. Eis então que ao fim de duas semanas a frequentar a nova casa de ensino o paradoxal acontece: recebem da DIGEstE uma comunicação a dar o dito por não dito. Ou seja, ao abrigo da lei o aluno não poderia continuar naquela escola por a sua idade ser inferior a 15 anos -o rapaz tem treze- e, por isso mesmo, teria de voltar novamente ao sítio onde foi continuamente molestado e que lhe causava distúrbios psíquicos. É então que os pais, manifestamente em aflição, vão consultar a referida lei e constatam que o parafraseado sobre a idade não é imperativo mas condicional. Segundo o que se descreve na reportagem pelo pai, a lei prescreve que qualquer criança “preferencialmente” com quinze anos pode ingressar num estabelecimento de ensino profissional. Para melhor se entender, este “preferencionalmente” quer dizer que, sempre que possível, se deve procurar que o aluno tenha quinze anos, mas, no caso de não ter, subentende-se, sempre que forem invocados motivos de força maior, pode ingressar com menos idade.
Entre muitas outras interrogações, deste aberrante comportamento de um órgão do Estado, uma pergunta subjaz: andam a brincar com a saúde psicológica destes pais e filho?
E agora para si leitor: e se fosse consigo?

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

EDITORIAL: BELMIRO DE AZEVEDO: HERÓI NACIONAL OU VILÃO UNIVERSAL?

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Na semana passada faleceu Belmiro de Azevedo, um dos homens mais ricos de Portugal. Antes de prosseguir, por que a morte para os mais chegados é sempre um cordão que se parte entre as almas dos que ficam e dos que partem, sinceramente, à sua família as minhas sentidas condolências.
Passando a tristeza do acontecimento que, para o bem e para o mal, toca todos, desde o mais afortunado ao mais paupérrimo cidadão, sendo politicamente incorrecto e ousando quebrar a monocórdica glorificação, vou tecer algumas considerações acerca do senhor Sonae.
Depois de uma semana encharcada em comentários elogiosos ao desaparecido engenheiro químico em tudo o que é imprensa escrita e falada, passando por todos e mais alguns políticos distribuídos entre o CDS/PP, PPD/PS e PS, até ao Presidente da República (PR) e ainda com voto de pesar aprovado no Parlamento -com votos contra do PCP, e abstenções do Bloco de Esquerda e PEV-, manifestando total solidariedade à família e amigos, ficámos a saber que, para além de grande empresário, Belmiro teve uma enorme capacidade de “liderança, determinação, visão de futuro e empenhamento social e cultural”, palavras elogiosas de Marcelo Rebelo de Sousa, o mais alto magistrado da Nação.

O INTERESSE LAVA MAIS BRANCO

Talvez por não conhecer o finado e para além de comprar de vez em quando no Continente nunca ter tido outras relações comerciais com as suas empresas, reconheço, tenho total liberdade para escrever o que penso. Sabendo nós que o seu império nacional e internacional se estende desde os aglomerados de madeira, turismo, comunicação social, audiovisual, comunicações, retalho alimentar não é admirar que os encómios nascessem como cogumelos. Se, por um lado, até se entende que muitos comentadores de jornais e televisivos exagerassem na exaltação -basta pensar nas receitas da publicidade-, por outro, custa a entender como é que líderes partidários e até o actual PR, que a seu tempo foram pura e simplesmente insultados na sua integridade, não se contivessem mais e usassem de alguma moderação no enaltecimento. Com frontalidade só o PCP mostrou ter coluna vertebral e dignidade -o Bloco de Esquerda, como pensa que vai ser governo qualquer dia e para não ser acusado de anti-capitalista, optou pela abstenção e um texto assim assim no site da “Esquerda.Net”. Da posição dos verdes (PEV) nem se fala.
Por que não ouvimos declarações de produtores, fornecedores, que abastecem a sua cadeia de supermercados?

MAS, BELMIRO FOI ASSIM TÃO BOM PARA O PAÍS?

Sem questões ideológicas, entre esquerda e direita, a frio, tendo em conta o que se passou com o extermínio de milhares de estabelecimentos da área alimentar e outros ramos pelo país fora, podemos afirmar e jurar com a mão na bíblia de que este empresário teve uma enorme importância para o desenvolvimento de Portugal? O que se entende por desenvolvimento? O progresso, para o ser em pleno, deve ser integrado, em linha horizontal, e não em corte, na vertical. Mas os políticos-partididários pensam sobre esta questão crucial? Quantas desgraças provocou entre milhares de famílias portuguesas? Quantos, pela falência recorrente, mandou para a miséria? Ainda que indirectamente -por que os governos fizeram pior- por que estão o interior e grande parte do litoral desertificados? Por que encerraram todas as pequenas mercearias que davam vida aos pequenos lugarejos? Os seus cerca de cinquenta mil empregos gerados, que as suas empresas garantem, justificam tudo? E os milhares e milhares de desempregados que, através de subsídio, têm de ser suportados pelo erário público?
É claro que, nesta parte da destruição do comércio tradicional, não está sozinho, outros houve (e há) que, com a total complacência dos executivos, chuparam até ao tutano o débil tecido económico deste país.
Pelo lado histórico, podemos até desculpar Belmiro de Azevedo. Afinal Henry Ford, nos Estados Unidos, no dealbar do século XX, com a implementação da linha de montagem automóvel, fez o mesmo. Porém, pela sua esperteza e dinâmica empresarial, não o absolve de ter feito a sua riqueza passando por cima de esqueletos dos mais simples e ter provocado a desgraça em milhares de famílias. Infelizmente, algumas grandes riquezas só foram acumuladas pelo sangre derramado dos mais pobres. Enfim, é o curso natural das coisas. Se a maioria não vê, o que se há-de fazer? É a síndrome de Estocolmo -desculpabilizar e ganhar afeição pelo sequestrador- em toda a sua plenitude.
De certeza absoluta que o liberal Adam Smith quando escreveu a “Riqueza das Nações”, em 1776, estava longe de imaginar que mais de dois séculos depois os dirigentes políticos com responsabilidades, sem vergonha e sem balanço existencial, económico, social e político, se iriam colocar de cócoras perante os mais abastados, discriminando a maioria dos cidadãos, e, pela desigualdade, denegrindo a bandeira nacional. Triste Nação entregue a meia dúzia de grupos económicos!

FALECEU FILIPINO MARTINS

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Segundo o Diário de Coimbra, com 91 anos, faleceu Filipino da Silva Martins -o “Filipino da ACIC”, Associação Comercial e Industrial de Coimbra, como era carinhosamente tratado e conhecido quando, durante décadas, foi funcionário da vetusta e desaparecida associação empresarial.
Durante os tempos áureos da CIC, Feira Industrial e Comercial de Coimbra, Filipino era a “front office”, a linha da frente da ACIC nas questões relativas a certames, sobretudo quando foi realizada pela primeira vez na Praça Heróis do Ultramar em 1978. “Mantendo um carácter de feira geral de actividades económicas que chamou desde o seu início uma participação a nível nacional, nela se procurou ao mesmo tempo dar relevância aos sectores de maior concentração regional. Nasceram assim as bienais da cerâmica, dos materiais de Construção, do Vinho, do Mobiliário e da Alimentação “ -in livro da ACIC, comemoração do 140º aniversário. Depois, em 1994, foi transferida para o Parque de exposições no Alto da Relvinha.
À família enlutada, em meu nome, em nome da Baixa, se posso escrever assim, neste momento de sofrimento, os nossos sentidos pêsames.

sábado, 2 de dezembro de 2017

UMAS ILUMINAÇÕES BARATAS E CASEIRINHAS





Juntamente com diversas iniciativas e em parceria com a APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, com pompa e circunstância, a Câmara Municipal inaugurou ontem a iluminação natalícia e de fim-de-Ano na Baixa -abarcando a zona do Mercado Municipal, Ponte de Santa Clara e uma parte da margem esquerda até ao Convento de São Francisco.
Embora esta crónica não tenha por objecto principal avaliar ou criticar o trabalho apresentado este ano, sempre vou acrescentando que, vendo o que está feito, faz-nos lembrar a teoria do lençol, à força de tanto se esticar, acaba a descobrir os pés. Ou seja, para crescer para outras zonas deixou sem iluminação as ruas estreitas. E, mesmo tentando fugir a dar opinião, com franqueza, a distribuição de luminárias está muito pobrezinha, graças a Manuel Machado e com ajuda de Deus, nosso Senhor. Por outro lado, como é natural, investindo em concertos de fim-de-ano e variados eventos, o dinheiro não chega para tudo -porque há uma preocupação de mostrar que se está a gastar sem esbanjar-, então cortou-se no que dá menos no olho -sobretudo no olhar dos jovens, que ficam muito agradecidos com uns espectáculos musicais a custo zero. A Baixa na sua revitalização, sendo essencialmente usufruída por velhos de alguma idade, pode esperar -com uns bancos para os ditos se assolaparem e a verem passar os turistas na magia do Natal.
Mas, como diz o povo, a cavalo dado não se olha os dentes. Embora o investimento venha dos nossos impostos, de todos os contribuintes, a verdade é que este serviço público, sendo uma prestação localizada, não saiu de taxas individuais e abarcando especificamente os munícipes da envolvente regional. Logo, se é certo que, num direito subjectivo, podemos todos criticar, em boa verdade, precisamente por não ter saído directamente do nosso bolso, perdemos o intrínseco direito a veto. Portanto, em síntese, foi uma opção do pagador e que, legitimamente, lhe cabe por inteiro. Está boa a ornamentação? Está mal? Como tudo é relativo a qualquer termo comparativo, ficará sempre na opinião de cada um.

MAS NÃO SE PODERÁ POUPAR MAIS NAS ILUMINAÇÕES?

O que me levou a escrever esta crónica foi uma conversa acerca das iluminações, que tive com um amigo há uns tempos: o Ricardo Murta. Defendia ele que os cerca de 60 mil euros gastos este ano, e outro tanto no ano passado e nos anos anteriores idem aspas, seriam evitáveis se a Câmara Municipal chamasse a si o encargo de enfeitar as ruas com o trabalho dos seus funcionários. Haveria um investimento inicial que seria amortizado nos anos subsequentes. Invocava o Murta que as câmaras municipais, ao invés de estarem sempre prontas a, através de atribuição directa, delegar serviços a empresas a troco de milhares de euros, deveriam agir com as finanças públicas como um bom chefe de família: com poupança, racionalidade, proporcionalidade e igualdade -referindo ele que poupando nos custos a luminosidade popular poderia abranger outras partes da cidade.
Tentando refutar atabalhoadamente, o que lhe disse na altura, é que o armazenamento dos tradicionais arcos implicaria um espaço considerável. Acontece que este ano a inspiração alegórica foi feita com recurso a extensões e com gambiarras em suspensão. Está de ver que a minha argumentação caiu pela base, isto é, a tese da dificuldade de guardar os enfeites de um ano para o outro esvaiu-se completamente. Afinal o Murta tem razão.
Vale a pena pensar nisto?




UM SOFRIMENTO PLASMADO POR QUEM SENTE





UM TEXTO ESCRITO POR AGUINALDA
SIMÕES GRAÇA AMARO, EMPRESÁRIA
NA RUA DA SOFIA:



Por mais que queiramos viver na nossa cidade, pagar as nossas contas, criar os nossos filhos, lutar para manter as portas abertas, está a ser muito difícil. É triste, é deprimente ser comerciante na Baixa de Coimbra.
Falo por mim. Trabalho 12 horas por dia na rua da Sofia... Uma artéria que foi esquecida e completamente abandonada por todos. Para mostrar ao turismo... Tudo escondido atrás de fachadas, algumas delas vergonhosas.
Sou "nova” e muitos outros novos ainda vão tentando a sua sorte abrindo o seu espaço... tentando realizar os seus sonhos... Trabalhando e pagando um preço bem caro por eles. Gastamos o que não temos, e acordamos num pesadelo. Não temos nada, mas mesmo nada, que nos ajude vindo da parte daqueles que deveriam ser os primeiros a zelar, a cativar, a incentivar o comércio, e a reabilitar a Baixa de Coimbra. Como é possível, meu Deus??? Todos os meses fecham lojas.
Todos os dias existe menos gente na Baixa. Nós não temos que pagar pelos erros dos outros. Nós estamos cá para trabalhar. Nós queremos!!! Eu quero!!
Tento fazer coisas, dou tudo de mim, mas é revoltante, é realmente triste sentirmos que estamos esquecidos por quem manda.
Eu preciso de trabalhar todos os dias, pagar contas todos os dias, dar comida aos meus filhos todos os dias. Por isso mesmo, preciso de ter clientes todos os dias.
Eu sou natal... Todos os dias. Dou, partilho, canto, danço todos os dias. Até um simples Lourenço (um músico de rua conhecido) com a sua viola numa ruela da Baixa me faz ter orgulho na minha cidade.
Para quê luz? Para quê música e cor na passagem de Ano? Para quê festas do galo, festas e eventos para gastar dinheiro (tanto que ajudaria a muitos )? No dia seguinte é um novo ano. E tudo continua igual. E mais portas da Baixa fechadas. Pensem nisto.
O que é realmente urgente???
A Baixa precisa de vida e cor todo o ano.
Natal é esperança, é amor é partilha.