terça-feira, 25 de outubro de 2011

INTROSPECÇÕES DA IMPERATRIZ...

(IMAGEM DA WEB)


 "Palavras soltas…  … são as palavras que o meu coração me sopra na urgência do registo.


O registo do que adoro…
O registo do que odeio…
O registo de tudo o que me inquieta e me pára…

 O calendário marcava 25 de Outubro de um ano já passado. O dia rompeu solarengo e quente, convidava a abrir a porta e olhar o céu. Assim fiz. Enfrentei por alguns minutos a luminosidade, como toureiro olhando o touro, mas ao mesmo tempo recebendo deste a sua força poderosa e hercúlea. Depois de retemperar o meu ânimo, entrei no tempo de chegar ao Oeiras Park para almoçar um saboroso cabrito e depois assistir ao filme “Fame”.
A companhia era agradável: Paula Dias. “Tantas Paulas na minha vida”, pensei para comigo em introspecção com os meus botões. Ela tem um sorriso lindo, e a alma inquieta e roubada -sim roubada!- dos seus mais preciosos tesouros, o “Manel”, o seu único filho, o marido Rui, o seu grande amor, e a mãe, o desequilíbrio dos desequilíbrios.
“Sabes. Sou bipolar!” -foi assim que a Paula se me apresentou. O tempo, esse espaço psicológico que nos atormenta, é sempre pouco para tudo. O que ela queria, e precisava, era dialogar, depois de tentar o suicídio, impedido pelo Rui, tendo para tal arrombado a porta da casa-de-banho -porta que eu cheguei a ver escaqueirada, sentindo no meu olhar a violência daquele momento da vida da Paula, anos antes de ela ter chegado à minha vida. Examinando as lascas de madeira dei por mim a interrogar-me sobre a linha que separa a vida da morte. E se o marido tivesse chegado segundos mais tarde? Foi um acaso? Teria sido o destino a comandar as operações de resgate desta mulher?
Hoje essa porta foi colocada no lixo, e a casa foi pintada. A minha intervenção como decoradora surte já efeitos na vida anímica desta mulher sofrida, lutadora e guerreira, de alma retorcida e perdida nos confins de um karma qualquer.
A sua bipolaridade, essa viagem constante entre as catacumbas da desgraça e uma Lua sonhadora de Agosto, valeu-lhe a fuga e o abandono do marido. Valeu-lhe ter ficado sem o “Manel”, o cordão umbilical de toda a sua existência. Por ele luta hoje nos tribunais… que não atam nem desatam. A Paula, com os olhos cheios de brilho de esperança, em repetição, só pergunta: “achas que vou ganhar a custódia do “Manel”?
O Rui, o seu ex-companheiro, faz o seu papel, tentando provar a todos com quem convive os desequilíbrios da Paula, e eu fico enjoada .
O “Manel”, um miúdo lindo, como bela é a inocência da ignorância, vai fazer 4 anos. Para além desta mulher gastar em advogados um ror de dinheiro nada se resolve. É uma luta titânica entre a razão e a emoção. E quem entende muito de razão é parco na emoção. Temo por ela. Toda a sua vida passou pelo empenho de ser exemplar no banco onde trabalha, para que todos possam atestar e fazer fé de que ela é uma grande mulher, uma grande mãe, e merece com urgência ter junto de si o seu “Manel”. Porque é tudo tão complicado?
Adoro-te Paula."


(TEXTO RECEBIDO POR E-MAIL DE ALGUÉM IDENTIFICADO, QUE GOSTA DE ESCREVER, MAS QUER MANTER O ANONIMATO)


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