quarta-feira, 18 de maio de 2011

LEVEM A ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE COIMBRA À BRUXA

(IMAGEM DA WEB)


 Depois de há meses a líder da bancada socialista na Assembleia Municipal de Coimbra, Helena Freitas, por ser candidata como vice-reitora da Universidade de Coimbra, ter alegado incompatibilidade e se ter despedido deste órgão fiscalizador, agora é a vez de Maló de Abreu, depois de 9 anos a liderar a bancada social-democrata, abandonar para se candidatar a presidente da Académica, AAC/OAF. A declaração de renúncia foi anunciada há cerca de uma hora no Facebook.
Da mesma forma que escrevi aqui acerca da troca de lugares de Helena Freitas, escrevo agora que a demissão de Maló de Abreu é incompreensível, inconsequente e, pior, grave incumprimento para com os eleitores.
“Incompreensível” porque alegar incompatibilidade numa posição de líder de bancada de assembleia municipal, cuja função não é executiva e muitos menos decisória em fornecimentos entre instituições, não convence ninguém. No limite, defender que o seu lugar possa ser susceptível de magistratura de influência ainda vá que não vá. Mas, puxemos do bom senso, mesmo demitindo-se do lugar anteriormente ocupado, será que essa preponderância não continua?
“Inconsequente”, neste caso de Maló de Abreu, porque depois do “caso Eduardo Simões”, que ocupou um cargo de decisão na autarquia, dar no que deu e, enquanto durou, ninguém se importou, agora, como virgem imaculada a fugir de fantasmas, vem o médico-dentista, outrora guardião da baliza do clube de Coimbra e eleito pela coligação por Coimbra, mencionar incompatibilidade?
“Incumprimento” porque os políticos eleitos acham que, pelo facto de ocuparem cargos de poder, se arrogam o direito de, a meio dos mandatos, rasgarem os contratos que estabeleceram com o eleitorado. Está errado, é um precedente que não pode continuar.
Tal como defendi no caso da agora vice-reitora da Universidade de Coimbra, sempre que um eleito político troque o seu lugar de servir a causa pública -como se propôs ao eleitorado nas urnas-, obrigatoriamente, deveria ser arredado de futuras listas partidárias.
A bem do futuro de todos, a bem do reconhecimento de toda a classe política, é urgente clarificar estas posições ambíguas. Não se pode continuar a fazer manifestações de rua contra os “políticos” –coloco entre comas, porque nunca sei quem serão estes visados- e depois, perante estes atentados contra a dignidade de quem vota, vir dar palmadinhas nas costas e escrever discursos de encómio a quem trai a sua confiança.

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