quarta-feira, 15 de setembro de 2010

BAIXA: UM DIA SEM CARROS




 Arménio Pratas, proprietário do estabelecimento de pronto-a-vestir Sofimoda, na Rua da Sofia, está inconsolável -perante a notícia, no Diário as Beiras, sobre a campanha do “Dia Europeu sem Carros, que será comemorado no próximo dia 22, e com uma proposta em discussão na reunião do executivo, em que “é defendido o corte de trânsito motorizado na zona central da cidade –João de Ruão, Sofia, Olímpio Nicolau Rui Fernandes e Fonte Nova- entre as 10 e as 18H00”-, “já viste isto, pá? É mais um ano em que gozam connosco. Até parece que a economia, como barco em alto-mar, navega muito bem, de velas desfraldadas, e apenas tocada pelo vento. Sabendo as dificuldades crescentes que passam o comércio e a Indústria, porque é que continuam a encerrar o trânsito na Baixa? Porque não aplicam a medida a um Domingo? Por qual a razão de sermos sempre os mesmos a pagar a factura? Por que não encerram a cidade toda? Ou, por exemplo, a zona de Celas, do Estádio? Esta medida não será a fazer pouco de quem luta e trabalha para tentar revitalizar o Centro Histórico? Bolas, estou farto destas faltas de consideração. Já no ano passado, neste dia, de negócio não fiz nada, se calhar, este ano, vou encerrar. O que é que estou aqui a fazer?”.
Como se sabe, o "Dia Europeu sem Carros" é uma forma de alertar os cidadãos, das áreas urbanas, para que se desloquem, cada vez mais, em transportes alternativos, de bicicleta, de transportes públicos, etc.
Uma coisa é certa, pode até considerar-se um lamento isolado, mas será mesmo único no universo de comerciantes da Baixa da cidade? Quantos pensam como ele e, talvez por receio de represálias, não se manifestam? Quantos como o Arménio, um trabalhador esforçado que muito tem dado ao comércio e ao associativismo, sentem na pele, anualmente, o prejuízo continuado de mais um dia esperado e não concretizado? Haja respeito pelo Arménio, pelo Joaquim, pelo Albino, que, no dia-a-dia, se esfalfam e desgastam numa esperança que não os reconhece.

4 comentários:

Jorge Neves disse...

Defendo o dia sem carros mas a ser realizado ao Sabado.Deveriamos todos protestar por ser a semana e na baixa.
Temos que nos fazer ouvir, foram eleitos por nós não nos podem ignorar.

Anónimo disse...

Eu gosto do Dia Europeu sem carros. Acho uma excelente iniciativa. Mas percebo o ponto de vista do Sr. Albino. Por isso prometo ir nesse dia à Sofimoda fazer uma compra. R vou feliz, pois terei a Rua da Sofia para passear à vontade. Talvez até diga aos meus dois filhos para irem comigo e levarem as bicicletas.

Anónimo disse...

Nunca fui muito adepto destes «dias» comemorativos.Dias da arvore,do livro,da energia eólica,do tigre,do teatro,do cancro ou seja o que for,são geralmente fontes de despesa pública.Desde a publicidade nos media,e sabe-se os preços exorbitantes de spots televisivos,a panfletos ou a utilização de recursos públicos,como p.e. maior numero de autocarros para satisfazer os utentes que usam carro pessoal.
Não que esteja contra á ideia subjacente ao «dia»,normalmente até concordo.Mas o ideal é durante o ano ir passando a mensagem pretendida,se isto for efectuado de forma estudada e sustentada,os custos talvez sejam menores.Quando muito terá o mesmo custo total,mas será pago faseadamente,e principalmente,a mensagem passará melhor e atingirá mais pessoas,e o mesmo individuo será sensibilizado várias vezes.
Pondo isto em termos básicos,poderia dar o seguinte exemplo:o que valerá mais a pena?Uma revista anual em edição de luxo relativamente a determinado assunto,ou esse mesmo tema editado mensalmente durante um ano num jornal de papel reciclado?
Fica a ideia.Não sei se faz sentido,mas garanto que passado uma semana do dia sem carros,quem se lembra desse dia são os «Arménios» da nossa cidade.
Marco

Anónimo disse...

Uma vez que esta medida tem por fim sensibilizar os cidadãos para os problemas ambientais provocados pela utilização massiva dos automóveis, porque não fechar nesse dia as vias que dão acesso aos hipermercados nacionais? Certamente que o mediatismo e o fim porque foi criada seria bem maior. Agora, faço as seguintes questões :
- Será que os proprietários dos hipermercados admitiriam essa brincadeira?
- Porque será que têm de ser sempre os mesmos a gramar com o prejuízo?
- Porque é permitido o fecho de um "centro comercial", como é ao caso "A Baixa da Cidade de Coimbra", que lesa centenas de comerciantes, por um "capricho" de meia dúzia de cidadãos e que não haja constestação a essa medida por parte das associações comerciais locais?
- Face ao momento de recessão económica que se vive, não seria melhor acabar de vez com esta comemoração ridicula, que o único mediatismo que tem é o prejuizo que uma vez mais fica para trás e para os mesmos?
- Não poderiamos fazer um referendozito a esta questão?