terça-feira, 25 de julho de 2017

O PAI NATAL

(Imagem da Web)





Por, em período de eleições, distribuir dinheiro a tudo o que é associação que mexa na cidade (desde que caída nas suas boas graças), Manuel Machado, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, depois de ser apelidado de “feitor”, “capataz”, “perfeito”, “ditador”, corre o risco de colher mais um apelido: Pai Natal.

O anunciado Superavit camarário, diferença entre as entradas de dinheiro e os gastos durante um determinado período, deve ser assim uma espécie de poço de petróleo inesgotável das arábias. O problema é se a coisa muda e se descobre que a dívida camarária, afinal, é muito maior do que se estimava.

UMA QUESTÃO DE VERDADE NA MORTE

(São Marcelo -imagem recolhida da Web)


Depois do sururu entre o Governo e a oposição acerca do número de mortes que ocorreram em Pedrógão Grande pelo fatídico grande incêndio ocorrido há pouco mais de um mês, Deus já mandou instaurar um rigorosíssimo inquérito para que, exaustivamente e doa quem doer, se apure se houve ou não falcatrua na entrada de almas no Purgatório. Para esta árdua tarefa de investigação, foi incumbido Santo Onofre, protector dos comerciantes, sábio independente, mas pouco zeloso no desempenho aos protegidos. 
Com esta nomeação, tudo indica que Deus não confia em Santo António, nem São Pedro e muito menos ainda em São Marcelo, outrora padre e elevado a Papa no ano de 308 da nossa era e no tempo de Diocleciano, imperador romano.
Pouco se sabe, mas tudo indica que lá em cima, no Céu, seguindo o exemplo de cá de baixo, da Terra, nada voltará ser como dantes.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

COMÉRCIO: APLICAR SORO FISIOLÓGICO AO DOENTE COMATOSO

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Neste último Sábado, a Câmara Municipal da Mealhada, sob o lema “Comércio em Festa”, levou a efeito um desfile de moda, “em que eram apresentadas as grandes propostas das lojas da cidade”, e abrilhantado com música ao vivo de DJ's contratados. Seguindo o exemplo de anos anteriores (creio), e a prossecução, em imitação, do que se faz pelo país de Norte a Sul sobe o mote de “Noite Branca”, a ideia seria manter os estabelecimentos comerciais abertos até à meia-noite e, para além disso, “um sorteio de vales de desconto num valor acumulado superior a 500 euros” -in Diário de Coimbra.
Cerca das 21h30, tanto quanto me apercebi, na principal artéria da cidade bairradina, para além de alguns cafés, havia três lojas comerciais abertas, sendo que duas pertenciam ao mesmo proprietário. Transeuntes a circular nas ruas contavam-se pelos dedos. No entanto, saliente-se, no fim do espectáculo de moda realizado na Quinta da Nora deu para ver que largas dezenas de pessoas assistiram e depois de concluída a mostra recolheram directamente às suas casas sem sequer se preocuparem em visitar os poucos comerciantes “resistentes” que seguiram o programa anunciado.
Num dos espaços comerciais abertos, em cuja montra poderia ler-se “leve dois e pague um”, troquei algumas impressões com o lojista. Pela longa conversa, facilmente percebi que o que se passa com o comércio tradicional em Coimbra, cidade média de cerca de cem mil habitantes, é igual à Mealhada, urbe com pouco mais de vinte mil. Lá como cá, o comércio de rua arrasta-se pelas pedras da calçada sem que, por parte do poder político, se vislumbrem soluções honestas de salvação que possam pôr fim à sangria que inevitavelmente levará ao desaparecimento destes espaços tão populares e necessários a todos os lugares habitados. Na Mealhada como em Coimbra, a solução apresentada de recorrer à festa nos centros das cidades e chamando os comerciantes a estarem abertos visa essencialmente dois objectivos:
Primeiro, mostrar aos consumidores em geral, enquanto massa abstracta que vota e que não está ligada ao comércio de rua, que os “senhores feudais” (o poder político local instituído) estão muito preocupados com a desertificação e a notória queda abrupta nas vendas. E por isso mesmo promovem iniciativas que, aparentemente, têm por objecto revitalizar os centros urbanos. Ficam muito bem na fotografia e o povo, acrítico, sem pensamento de análise e que adora circo, bate palmas.
Segundo, como os comerciantes não aderem a estas festarolas, porque há muito se aperceberam do que daí advém, a intenção é passar o ónus da responsabilidade de decrepitude destas zonas para os que lá exercem as suas profissões de compra e venda. Paulatinamente, como um enorme toro de madeira numa lareira, os mercadores, sem destrinça entre velhos e novos e indiciados como causadores da falência vivificante dos centros, vão sendo queimados em lume brando pela opinião pública.
É óbvio que, na primeira premissa, estes políticos estão fartos de saber que o comércio local caiu nas ruas da amargura muito por culpa do licenciamento desbragado e falta de planeamento urbanístico da oferta nas actividades existentes. A desculpa para se continuar a falar em urbanismo comercial e não se fazer nada para a sua implantação, num preceito constitucional que dá jeito assente na liberdade de investimento, reporta-se para Constituição da República e para as directivas emanadas de Bruxelas, em que o que importa é a concorrência sem regulação. Quanto mais oferta selvagem houver maior será a destruição na pequena e pequeníssima empresa. Não é preciso ser presciente para adivinhar que a médio-prazo esta anomia, perdas de identidade, de objectivos e de regras, vai conduzir ao caos, em que o desequilíbrio vai imperar pela transformação de tudo em hotelaria -até ao dia em que este sector rebentará também como bolha de água inflaccionada.
É também claro que, na segunda premissa, os eleitos condutores das cidades estão fartos de saber que os comerciantes não aderem porque estas acções festivaleiras não trazem absolutamente nada de positivo para os lojistas. Pelo contrário, pela despesa em cima de despesa, sem que se vislumbrem melhorias, é extremamente negativo. Utilizando-os como arlequins do reino, sem um pingo de vergonha, faz-se deles actores gratuitos de um teatro trágico-cómico.
Tal como se verificou neste último Sábado na Mealhada, e igualmente em Coimbra, as pessoas são atraídas apenas pela alegoria e poucos e raramente vão para comprar nessa noite. É assim uma espécie de ida à romaria do Santo Amaro.
Neste cortejo à Senhora das Aflições, todos fingem. Começa no comerciante que, sentindo que o negócio é cada vez mais a conta-gotas e a cair dia-após dia, finge que está tudo bem -a não adesão a estes movimentos circenses é o único protesto silencioso que se conhece. Fingem os grupos parlamentares com assento na Assembleia da República, fingem os políticos governamentais, fingem os eleitos locais, fingem os candidatos às eleições autárquicas -em Coimbra todos os novos concursantes, nos seus programas eleitorais, falam em “requalificar” a Baixa. A questão é saber interpretar a palavra “requalificar” para além de ser uma bandeirola política que serve para tudo menos para ser objectiva.
Só para ser mais claro, de dois em dois anos, normalmente sob a sigla “Comércio Invest”, com promessas de um “eldorado”, lá vem subsídios propalados e, na subsequência, o convite e aceitamento para a forca. Este ano, para variar e alargar os créditos às autarquias, inserido no âmbito do Quadro Comunitário 2020-2020, foi apresentado o “Coimbra Invest”. Numa animada marcha fúnebre comercial, para ser contemplado, exige-se que tenham de ser criados postos de trabalho e, para o seu preenchimento, de recorrer aos centros de emprego. Facilmente se adivinha que num sector que agoniza, como é lógico, esta não será a solução viável para a sua recuperação.

NÓS POR CÁ TUDO BEM...

Em Coimbra, quando o comércio de rua apresenta sinais evidentes de esgotamento colectivo na Baixa, e em que os comerciantes não aderem ao alargamento de horário nas chamadas “Noites Brancas” e pelo contrário estão a abrir mais tarde e a encerrar as suas lojas mais cedo – para além de alguns já não estarem cá ao Sábado, nos outros dias, abrem por volta das 9h30 e encerram por volta das 18h00-, o executivo municipal continua a apostar na torrefacção de mais uns milhares de euros para festas populares em nome do Santo Onofre, protector dos comerciantes.
Depois de ter financiado há poucos meses com a verba de 35 mil euros, segundo o Diário de Coimbra de hoje, desta vez o “Município apoia Agência de Promoção da Baixa” com 55 mil euros. “A autarquia reconhece que a APBC tem aumentado, com qualidade, as dinâmicas de actuação e que pretende dar continuidade ao projecto, que contempla a concretização de iniciativas de carácter estruturante, de promoção e modernização da zona da Baixa de Coimbra. A sua acção e foco têm vindo a incidir em actividades que atraiam o maior número de pessoas à Baixa de Coimbra e, em 2016, houve uma considerável aposta na formação e sensibilização dos comerciantes, em acções de responsabilidade social, na captação de investidores e na promoção de concursos de empreendedorismo”.
Não há nada com cair em graça! Quando se precisa de justificar o injustificável até se inventam desempenhos e conceitos. Entretanto, os castelos vão caindo, mas não há problema porque a banda continua a tocar. Ah, grande Manuel Machado! O que seria da Baixa sem você?!?

terça-feira, 18 de julho de 2017

NO QUE SE DISTINGUEM AS CIDADES DE COIMBRA E MEALHADA?





A perder habitantes há vários anos, uma cidade de média dimensão como por exemplo Coimbra, com vistas curtas, faz festas na urbe e gasta 300 mil euros em pouco mais de uma semana. Uma cidade pequena, como por exemplo a Mealhada, com vistas alargadas para o futuro, cria incentivo à natalidade e, com este projecto, prevê gastar anualmente 250 mil euros. E mais: foi aprovado por unanimidade. Mealhada, i love you so much!

Seguindo o exemplo de Cantanhede, citando o “Bairrada Informação”, o município da Mealhada para “apoiar a natalidade no concelho e consequentemente impulsionar o comércio local são as bases do Regulamento Municipal de Apoio à Natalidade e ao Desenvolvimento Económico Local, que foi aprovado, na manhã de 17 de julho, na reunião do executivo mealhadense. Ao todo as famílias abrangidas pelo apoio arrecadam um apoio de mil e quinhentos euros cada. Já a autarquia prevê que este seja um investimento anual a rondar os duzentos e cinquenta mil euros por ano.
No documento do regulamento, a nota introdutória enfatiza que “desde há alguns anos atrás no Município da Mealhada um decréscimo da população em geral e de nascimentos em particular (cento e setenta e seis em 2016)”, levando a Câmara a “criar um incentivo financeiro à natalidade, com repercussão na atividade económica local, dando assim uma resposta conjugada a dois problemas”, uma vez que, nos últimos anos, regista-se uma procura crescente da população pelas grandes superfícies.
Assim, “o incentivo à natalidade é atribuído por subsídio fixo de trezentos euros a pagar no mês seguinte ao do nascimento da criança e complementado por um subsídio mensal de cinquenta euros, até aos vinte e quatro meses de idade da criança”.
A atribuição dos subsídios está dependente da apresentação de faturas de despesas realizadas com a aquisição de bens ou serviços indispensáveis ao desenvolvimento saudável e harmonioso da criança”, lê-se no mesmo documento, que enfatiza a obrigatoriedade destas aquisições serem efetuadas em estabelecimentos do concelho da Mealhada.
O regulamento, aprovado por unanimidade pelo executivo camarário da Mealhada, estará agora sujeito a consulta pública durante trinta dias. Em setembro será votado em Assembleia Municipal, sendo enviado para publicação no Diário da República  e, por isso, tudo indica que esteja em vigor já a partir do próximo mês de outubro.”

LEIA AQUI A NOTÍCIA COMPLETA (CLIQUE EM CIMA)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

AI JASUS!?!! O VENTURA A DIZER UMA VERDADE NUM PAÍS QUE GOSTA DE MENTIRAS. É DOIDO, Ó QUÊ?

(Imagem retirada do jornal i)


Os ciganos vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado”
André Ventura, candidato à Câmara de Loures pelo PSD/CDS, em crítica aberta à “impunidade” cigana.

Vou-lhe ser muito direto: eu acho, e Loures tem sentido esse problema, que estamos aqui a falar particularmente da etnia cigana. É verdade que em Loures há mais, com uma multiculturalidade grande, mas em Portugal temos uma cultura com dois tipos de coisas preocupantes: uma é haver grupos que, em termos de composição de rendimento, vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado, outra é acharem que estão acima das regras do Estado de direito.” 


sábado, 15 de julho de 2017

BOM DIA, PESSOAL...

AC: SUBSTITUIR O FERRO POR CIMENTO CUSTA MUITO?

Foto de Diário As Beiras.




A essência de haver um problema é não haver uma solução.
Fernando Pessoa

Em aforismo, diz o povo que para grandes problemas soluções simples. Às vezes há respostas tão óbvias que, por serem tão evidentes, nos levam a questionar a razão de continuar a haver problemas.
Vem isto a propósito de hoje, em primeira página, os dois jornais da cidade, Diário de Coimbra e Diário as Beiras, noticiarem o furto de 150 grelhas, em ferro fundido, de sarjetas em meio ano e da responsabilidade de reposição pela empresa municipal Águas de Coimbra (AC).
A primeira questão que se levanta é perguntar se, de facto, este desvio é recente. Para quem lê jornais facilmente responde que este fenómeno, em Coimbra, já tem barbas, sobretudo e pelo menos desde há cerca de três anos a esta parte e quando o preço dos metais subiu exponencialmente a nível mundial. Ou seja, como o valor pago por quilo de resíduos será alto, o crime compensa bastante para quem furta e quem recepciona.
A segunda interrogação é a razão de não terem sido tomados cuidados que evitassem o descalabro em tempo útil, isto é logo no início dos desaparecimentos.
Não é preciso ser economista para verificar que, contrariamente ao que parece ser sugerido, a solução deste problema social não reside na apresentação de queixa na polícia para a descoberta dos autores. Este procedimento, aliás obrigatório numa empresa pública, é uma mera prerrogativa de função administrativa. Como acção de eficácia, era preciso ter substituído o ferro fundido por cimento ou pedra, que eram os materiais usados no Estado Novo (1933-1974). E mais ainda: recorrer menos a grades e mais a cavidades interiores nas bermas e encravados nos passeios para escoamento de águas pluviais. E por que não foi seguida esta ajuizada metodologia? Claro que não sabemos, mas podemos sempre aventar: se calhar na AC não haverá arquitectos ou a haver, sem ofensa para a classe, estes profissionais de projecto não conhecem o sistema antigo de escoadura; a AC ser accionista de uma fábrica de fundição de ferro; haver demasiado dinheiro na AC e que não obrigue a empresa a prevenir e a poupar nos custos de execução.
Seja lá o que for que esteja por detrás desta ineficácia, perante as diárias dificuldades das empresas particulares, esta inusitada falta de visão económica, este desperdício irrita até um santo homem como eu -modéstia à parte, é claro. Se não houver mais alguém, pelo menos a mim deixa-me fora de controlo.
Vale a pena pensar nisto?